<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642283</id><updated>2011-07-07T22:50:10.296-03:00</updated><title type='text'>Tamarindo Saci</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>tamarindo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05219313432851550070</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>72</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642283.post-7749123703861556672</id><published>2009-07-17T23:17:00.001-03:00</published><updated>2009-07-17T23:17:43.833-03:00</updated><title type='text'>Dezessete</title><content type='html'>&lt;div&gt;Gosto de observar o vai e vem de gente enquanto espero o ônibus para ir trabalhar. Arrisco dizer que não existe rotina mais ordeira no meu bairro, ou quem sabe na cidade. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Eu normalmente chego ao ponto uns dez minutos antes do sujo e barulhento coletivo que me leva à repartição. Nesse meio tempo, passam por mim, como em uma parada militar, alguns personagens de que tanto vê-los fico com vontade de cumprimentar. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Lá perto fica o Salesiano, logo a maioria deles são estudantes do colégio. O cortejo começa, quase sempre, com uma menina gorducha, de uns 12 anos e seus um metro e meio de altura. A despeito da silhueta renascentista, ela anda a passos largos, apressada, porém elegantemente, com um olhar que mira o horizonte.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Em seguida vêm dois prováveis irmãos, que eu apelidei de O Gordo e o Magro. O Magro parece ser o mais novo e vem sempre na frente, transpirando preguiça. O Gordo, que na verdade é musculoso, parece ser mais seguro de si e às vezes surge acompanhado por alguma beldade adolescente. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Outra figura que nunca falta é a Boneca de Mármore. Aluna do Salesiano, deve ter uns 15, 16 anos. É loira, magra, com rosto clássico. Tem um olhar completamente indiferente, como se o caminho ordinário para a escola fosse uma passarela da Qualquer Coisa Fashion Week. O vermelho nas unhas das suas mãos, atestado de maturidade, alivia minha consciência quando devaneio sobre ela. Há outros personagens, que não vou citar agora. Não são nem mais nem menos importantes, e podem vir a ser assunto de outra crônica. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Às vezes o cortejo falha, como nesta manhã ensolarada de inverno. De longe eu via o Roqueiro chegando. Chamo-o assim porque o estudante está sempre com um allstar rabiscado e jeans bem velho. Na direção contrária passaram duas meninas da mesma escola, quase correndo. O roqueiro ensaiou o cumprimento a uma delas, foi agarrado pelo braço e obrigado a acompanhar as duas. Relutou um pouco mas deu meia volta e disparou no mesmo ritmo das colegas.  &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Eram sete da manhã. Na certa o Roqueiro iria se atrasar para a aula. Poderia até perder uma prova, quem sabe. Mas qual a importância disso, se naquele momento ele estava de braços dados a duas lindas meninas, felizes por estarem protegidas por ele.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Minhas vistas acompanharam o trio por quase um minuto, até meu ônibus aparecer. Fiquei o dia inteiro com saudades dos meus 17 anos, do Redley pichado, do jeans rasgado e das surpresas às sete da manhã. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642283-7749123703861556672?l=tamarindo-saci.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/feeds/7749123703861556672/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642283&amp;postID=7749123703861556672' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/7749123703861556672'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/7749123703861556672'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/2009/07/dezessete_17.html' title='Dezessete'/><author><name>tamarindo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05219313432851550070</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642283.post-6643192520826256494</id><published>2008-03-18T23:32:00.000-03:00</published><updated>2008-03-18T23:33:16.620-03:00</updated><title type='text'>São Paulo</title><content type='html'>Dias atrás fui a São Paulo, passar um final de semana na companhia de amigos. Saí de lá com vontade de voltar logo, e quem sabe estabelecer moradia definitiva naquela cidade frenética, brutal e ainda assim sedutora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cidade deixou de recordação meia dúzia de imagens em minha mente. Na certa o tempo e outras experiências se encarregarão de apagar essas imagens da minha cabeça, com exceção de uma, desde já integrante do time das memórias que levarei para o leito de morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não foi nada extraordinário, adianto. Aliás, foi um fato bastante vulgar, e não fosse meu sentimentalismo de ocasião a história nem ganharia essas linhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos lá. Eu havia acabado de almoçar em um shopping center com meu anfitrião. Era mais ou menos meio-dia, e o lugar estava abarrotado de gente apressada. Nós também estávamos apressados e andávamos rápidos e truculentos como yuppies, porém felizes e não tão bem vestidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao passar próximo a um restaurante, fui alvejado pelo olhar delicado de uma funcionária. A moça deve ter entre 20 e 23 anos, é baixinha, branca e com um corpo bonito sem ser escultural. Ela estava com uma pasta preta, que presumo ser um cardápio, comprimida contra os seios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu olhar veio acompanhado de um discreto sorriso. O impacto do seu golpe foi tão forte que fui obrigado a retribuir o aceno dos lábios. O lance todo não durou mais que cinco segundos, mas me deixou fora do chão por um bocado de tempo. Fiquei tonto. Por um momento os relógios pararam e não vi ninguém ao meu lado. Estava como o pugilista nocauteado, bambeando no ringue antes de cair para a derrota certeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eu não estava ferido, nem derrotado. Pelo contrário. O olhar da mocinha me encheu de vivacidade. Deixou-me alegre, certo de que a vida vale a pena, mesmo que as coisas às vezes não aconteçam do jeito que a gente quer.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642283-6643192520826256494?l=tamarindo-saci.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/feeds/6643192520826256494/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642283&amp;postID=6643192520826256494' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/6643192520826256494'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/6643192520826256494'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/2008/03/so-paulo.html' title='São Paulo'/><author><name>tamarindo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05219313432851550070</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642283.post-7424202682066980010</id><published>2008-03-05T10:55:00.000-03:00</published><updated>2008-03-05T11:03:32.963-03:00</updated><title type='text'>Não era só mais um Silva</title><content type='html'>O lugar onde trabalho é rico em personagens interessantes. Basta um pequeno exagero dramático nas características de cada um deles e eu teria um elenco prontinho para uma série de TV ou um longa-metragem, que seria uma mistura improvável de M.A.S.H com The Office.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dessas figuras é o Sr. Silva. Comandante de uma unidade de elite da polícia, é o estereótipo do militar patriota. Conserva o cabelo grisalho bem curto na nuca e com um pequeno topete em cima, tal qual o penteado do exército alemão. Por falar nisso, não esconde de ninguém que mantém a foto de Erwin Rommel como papel de parede no computador. Orgulhoso pela farda que veste e desconfiado dos civis que o cercam, é o tipo de pessoa que morreria por uma causa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfezado com o que o incomoda e inimigo declarado da imprensa, não é de se estranhar que minha equipe de trabalho tenha enfrentado dificuldades com ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fim de ano. Uma colega do trabalho confeccionou cartões de natal para distribuir aos vários comandantes, uma espécie de agradecimento à ajuda por eles prestada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mim coube a ingrata missão de entregar o cartão ao Sr. Silva. Fui à sala onde ele, todos os dias após o almoço, assiste ao noticiário esportivo.  Dei bom dia e entreguei o cartão, esperando que no mínimo ele rasgasse-o na minha frente. Para meu espanto, ele se levantou do sofá com entusiasmo de menino e agradeceu pela lembrança, apertando a minha mão com vigor marcial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dias depois, encontrei Sr. Silva no mesmo local e no mesmo horário. Ciente de que ele é um estudioso da 2ª Guerra, fiz uma pergunta sobre o conflito. Não para puxar conversa, mas para extinguir minha dúvida mesmo. Isso rendeu um bate papo de quase uma hora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A prosa foi boa, e apesar de autoridade, ele mostrou que não queria apenas uma platéia para aplaudir seus conhecimentos. Em vez disso, ouvia as minhas opiniões, embora eu não tivesse questionado em momento algum seu ponto de vista anti-americano. Para encerrar a palestra, pedi que indicasse alguns livros sobre o assunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algumas horas depois, um soldado entrava na minha sala e deixava dois livros sobre a 2ª Guerra, um sobre as aventuras de um piloto da Luftwaffe; outro, sobre os Kamikazes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha colega de trabalho olhou assustada, para depois se alegrar com o que finalmente seria a assinatura de um tratado de paz entre Sr. Silva e os assessores de imprensa da polícia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte, para desgosto da minha parceira, ele se recusava a dar informações sobre uma operação policial. Pobres meninas. Não sabem que entre os homens a amizade pode coexistir com as diferentes convicções.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642283-7424202682066980010?l=tamarindo-saci.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/feeds/7424202682066980010/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642283&amp;postID=7424202682066980010' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/7424202682066980010'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/7424202682066980010'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/2008/03/no-era-s-mais-um-silva.html' title='Não era só mais um Silva'/><author><name>tamarindo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05219313432851550070</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642283.post-2956697193523478281</id><published>2007-08-22T00:00:00.000-03:00</published><updated>2007-08-22T00:01:47.537-03:00</updated><title type='text'>Rock antigo</title><content type='html'>É engraçado como as opiniões mudam. Eu costumava criticar uns amigos que apreciavam rock antigo. Achava estúpido um bando de jovens idolatrar grupos da época dos seus pais, enquanto a modernidade fervilhava na forma de microfonias, poucos acordes e temáticas depressivas. Eu idolatrava o novo. O desconhecido. O efêmero. Minha sanha iconoclasta via o passado como uma página a ser virada e nunca mais relida e o agora como única salvação possível. Para mim, música antiga era coisa de espíritos velhos, mofados e com articulações e neurônios emperrados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo passou, e me mostrou que admirar o dia de ontem faz parte da ordem natural das coisas. Devia estar escrito nos livros de ciência: os humanos nascem, crescem, se reproduzem, morrem e buscam no passado a felicidade que não têm mais. Claro que não é nessa ordem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cheguei a essa conclusão ao ouvir na tarde de hoje Superunknown, disco do Soundgarden lançado em 1994. Conheci o disco na época em que foi lançado, por intermédio de um colega de escola que comprou o LP, duplo, se não me engano. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naqueles bons tempos, no qual matávamos aulas no pátio à beira da piscina só para apreciar a beleza nórdica de uma professora de educação física, disco bom passava de mão em mão e gerava crias na forma de fitas Basf.  Eu fui um dos que levou o LP e cumpriu o ritual da catequese roqueira de gravar fitinha, escrever à caneta o nome das músicas e depois quebrar a lingüeta, para evitar o risco de gravação acidental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo isso veio como um flashback, assim que as guitarras pesadas de “Let me drown” começaram a soar. Inventei de querer saber o porquê de estar ouvindo uma banda dos tempos do segundo grau com um mundo de novidades a um clique de distância, prontas para atualizar meus gostos e configurar meu perfil, deixando-me apto a ser um cara benquisto na confraria dos cults e antenados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando analisei os últimos arquivos mp3 baixados, tomei um susto. Só coisa velha. Um disco do Happy Mondays de 1987; Darklands, do Jesus and Mary Chain, do mesmo ano; The Downward Spiral, do Nine Inch Nails, de 1994. Por que tanta velharia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fácil, pensei eu, fundamentado pelas 15 horinhas de Psicologia que tive em uma graduação e meia na universidade. Ouvir música do passado é a única forma possível de manter-se jovem, conectado a um tempo que não volta mais. Superunknown, e outros discos, são como máquinas do tempo capazes de me levar para os melhores momentos da adolescência, quando eu usava um Redley rabiscado, jeans rasgado e conversava a tarde inteira sobre Nirvana, Metallica, RATM, Ramones...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, a teoria não explica o gosto dos meus amigos por músicas da época em que eles eram embriões, por isso é melhor ser refutada. Teoriazinha mixuruca. Durou um parágrafo, pouco mais que as bandinhas que aparecem e somem hoje em dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eureca! Está explicado. Eu ouvi Superunknown hoje à tarde porque o disco é bom. Não é descartável como as farofas lançadas hoje em dia. Só por isso. Procurar explicação metafísica é pura falta do que fazer.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642283-2956697193523478281?l=tamarindo-saci.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/feeds/2956697193523478281/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642283&amp;postID=2956697193523478281' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/2956697193523478281'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/2956697193523478281'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/2007/08/rock-antigo.html' title='Rock antigo'/><author><name>tamarindo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05219313432851550070</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642283.post-6961305314564090353</id><published>2007-08-15T20:58:00.000-03:00</published><updated>2007-08-15T20:59:24.338-03:00</updated><title type='text'>Abstêmio</title><content type='html'>A vida é muito dura quando se é abstêmio. Escrever uma crônica, compor uma música ou esperar por um amigo são tarefas ingratas sem a companhia incandescente de um cigarro. Encrencas como declamar um poema em público, declarar-se para uma morena ou mandar o chefe às favas parecem brincadeiras de criança quando temperadas pelo sabor traiçoeiro do álcool.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afirmo isso com propriedade, porque não fumo, e bebo com moderação de dar inveja aos menos controlados. À vezes até me assusto com minha preocupação com a forma física, na medida que um dos maiores sanguinários da humanidade também pregava os benefícios de uma vida sem tabaco e com baixas taxas de colesterol. Felizmente, não há pesquisa que comprove a relação entre hábitos saudáveis e&lt;br /&gt;comportamentos totalitários. Pelo menos por enquanto...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas isso é assunto para outra crônica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que me perturba agora, como escrevi acima, é a dificuldade de desbravar o capinzal espinhento da vida sem um scotch na algibeira e um  marlboro entre os dedos. Pensamentos imperfeitos são levados para longe pela primeira golada. Ansiedade, preocupação ou tédio perdem força assim que o batalhão de substâncias químicas contidas no&lt;br /&gt;cigarro entra na corrente sanguínea.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dias desses fui dar um passeio pela noite de Vitória.  Fomos para um lugar cheio de barzinhos, situado num bairro de classe alta. É o tipo de lugar onde os mauricinhos vão para exibir os carros e azarar as patricinhas; as patricinhas vão para mostrar os decotes, as caras maquiadas e dar foras nos proletários; os proletários vão para exibir os chevettes rebaixados, desejar as patricinhas e tentar se dar bem com as barangas; e as barangas vão para esnobar os proletários, desejar os playboys e invejar os jeans de 500 reais das patricinhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em meio a esta fauna fedida estava eu. Sem uma gota de álcool no sangue. A mesma rigidez de espírito que me impediu de beber para estar às sete horas do dia seguinte no trabalho produziu na minha mente os pensamentos mais sórdidos. Mas isso é assunto para outra crônica, porque a razão dessas linhas foi uma pegadinha do destino ocorrida na manhã de hoje. Vou contar em poucas linhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há dias estou interessado por uma menina da academia. Diante de certa receptividade, puxei assunto com ela. Descobri nome, gostos, atividades e que tem namorado. Só que a amizade evoluiu, a despeito de um certo desinteresse da minha parte, afinal, como é comprometida, desisti da investidura.  E a cada dia a amizade aumentava. Ela falava da faculdade, da facilidade em ganhar peso, do sacrifício dos abdominais. E me ouvia falar dos tempos da faculdade, da dificuldade em ganhar peso, do sacrifício dos abdominais. Então bateu. Meu interesse pela moça de 24 anos, bonita mas que não pára trânsito, que nunca vi conversando com nenhuma integrante da confraria-de-vendedoras-de-shopping-saradas-e-chicleteiras, voltou com mais força.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O golpe fatal veio quando ela me cumprimentou, ao chegar à academia, e reclamou que eu não havia a esperado para ir embora no dia seguinte. Conversamos, treinamos e para minha alegria, terminamos quase na mesma hora. Eu pude esperá-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caminhamos e conversamos. Ela não citou o namorado. Estaria solteira? Falou do vício incontrolável por chocolate. Eu ouvi atento e feliz. Então ela apertou o botão vermelho e jogou napalm nas minhas ilusões. Ela falou do namorado, e que estavam juntos há um mês. Em lua de mel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;You smell that? Do you smell that? Napalm, son. Nothing else in the world smells like that. I love the smell of napalm in the morning.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;I hate de smell of napalm in tha morning.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que os óculos escuros disfarçaram meu dissabor. Caminhei de cabeça baixa. Quis um gole, quis um trago. Tirei a camisa pois fazia sol. Era meio dia. Ergui um pouco a cabeça e vi um céu azul cheio de chumaços de algodão. Daí lembrei do Camus, que um dia disse: “para corrigir uma indiferença natural, achei-me colocado a meia distância entra a miséria e o sol. A miséria impediu-me de crer que tudo está bem debaixo do sol e na história. O sol ensinou-me que a história não é tudo.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bola pra frente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642283-6961305314564090353?l=tamarindo-saci.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/feeds/6961305314564090353/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642283&amp;postID=6961305314564090353' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/6961305314564090353'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/6961305314564090353'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/2007/08/abstmio.html' title='Abstêmio'/><author><name>tamarindo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05219313432851550070</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642283.post-9125921722331193094</id><published>2007-07-26T22:19:00.000-03:00</published><updated>2007-07-26T22:23:38.381-03:00</updated><title type='text'>Estrangeiro</title><content type='html'>Uma colega do trabalho me perguntou quando seria o jogo da seleção brasileira feminina de futebol. Eu respondi que não sabia. Ela retrucou e disse que eu, por ser jornalista, teria a obrigação de saber a programação dos jogos pan-americanos. “Mas eu não sou brasileiro”, disparei meio sem pensar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A discussão terminou com sorrisos das duas partes. Mas a frase que a encerrou, ao contrário do que minha interlocutora achou, não foi dita da boca pra fora. Às vezes, e não tão às vezes assim, sinto-me como um estrangeiro. É uma sensação de estranhamento, como se eu não fizesse parte do universo ao meu redor. Sabe a sensação de estar em uma festa reservada, com uns dez, doze convidados, e não conhecer ninguém. De tão absurda, nem é preciso ter passado pela situação para sentir o desconforto. Eu olho para um lado, pra outro, e não vejo a porta da sala. A única alternativa é esperar o anfitrião anunciar o fim da festa para ir embora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sensação vem como um arrepio, algumas vezes só me belisca e vai embora. Em outras, estaciona feito visita chata, em estadia que dura no máximo alguns minutos, até ser expulsa pelas incumbências cotidianas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se assustem, meus três leitores e meio. Não vou matar um árabe e culpar o sol, como o anti-herói Meursault. Muito menos abraçar o niilismo, desprender-me de tudo e fazer de um barril minha moradia, como o filósofo cínico Diógenes de Sínope. Não tenho coragem para tanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem sabe daqui uns anos eu encontre meu passaporte, ou a porta de saída na festa estranha. Tem gente que faz análise, outros enchem a cara. Não sei se encontram a resposta. Eu prefiro a dúvida, a companhia sombria do estranhamento. Porque pelo menos tenho assunto para exercitar meu português ruim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642283-9125921722331193094?l=tamarindo-saci.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/feeds/9125921722331193094/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642283&amp;postID=9125921722331193094' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/9125921722331193094'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/9125921722331193094'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/2007/07/estrangeiro.html' title='Estrangeiro'/><author><name>tamarindo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05219313432851550070</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642283.post-2822592977364812017</id><published>2007-07-13T22:48:00.000-03:00</published><updated>2007-07-13T22:49:04.378-03:00</updated><title type='text'>Onde mora o pipoqueiro?</title><content type='html'>Hoje lembrei de uma coisa que me inquietava quando eu era criança. Eu não conseguia entender de onde vinham os pipoqueiros que trabalhavam nas pracinhas, parques de diversão e festas juninas. Minha sabedoria infantil, não sei por que, dizia que eles moravam bem longe dali, de onde alegravam a garotada com a mistura mágica de milho, óleo e sal, e não poderiam carregar o carrinho à pé e muito menos colocá-lo dentro de um ônibus, como faziam os meninos que vendiam picolés na praia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes, na fila da roda gigante ou do bate-bate, caía em meditação em busca da resposta. Meus pensamentos eram impreterivelmente interrompidos por um adulto querendo saber o que eu estava pensando – a mais angustiante pergunta desde os tempos de Caim e Abel. Eu voltava ao chão tão ignorante quanto antes e me concentrava nas coisas realmente importantes para um menino de oito anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os mistérios dessa fase da vida foram diminuindo na mesma velocidade em que o número do meu sapato aumentava. Era a luz da ciência e da razão bombardeando minha alma e exterminando as fantasias da idade das formas perfeitas. Não era a voz de Jerry Lewis que mudava de uma hora pra outra e sim a dublagem. O foguete que subia garboso em direção ao espaço não passava de um estilingue descartável para arremessar uma nave de formas nada atraentes. João Paulo II não falava todas as línguas do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minhas enciclopédias amigas só não me ensinaram onde os pipoqueiros moravam. Talvez eu não tenha procurado o verbete certo. Ainda bem que eu guardava a dúvida só pra mim, ou algum adulto – sempre eles, caçadores de ilusões – teria me dito que o pipoqueiro mora longe de festa e precisa caminhar um bocado para ganhar uns metais. “É por isso que eu nunca vi pipoqueiro gordo”, eu diria, e iria dormir o sono dos levados, crescer, estudar, me formar, dormir, acordar, malhar, voltar pra casa e ver indiferente um sofrido senhor às portas da terceira idade empurrar um carrinho de picolé amarelo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como a sabedoria dos mais velhos não dissipou a velha dúvida, ela voltou a mim diante da visão do combalido empreendedor. De onde vinha aquele homem magro e de cara enrugada? Não havia parque de diversões ou circo por perto, logo ele não desapareceria por encanto quando o espetáculo terminasse. Nenhuma teoria salvadora pairou sobre minha cabeça endurecida. Só a verdade, bruta como uma cusparada. Ele mora longe e andou bastante. Batalha de sol a sol quando deveria colher os frutos de uma existência digna. Maldita imprevidência social.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A frente do carrinho em direção à praia dizia que ele começava sua jornada. As nuvens cinzas lá no alto anunciavam a féria minguada. Segui meu caminho e agradeci aos céus por ninguém ter me falado, na aurora da minha vida, o quanto o pipoqueiro (e o vendedor de milho, algodão doce, maça do amor) sofre para alegrar a vida da gente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642283-2822592977364812017?l=tamarindo-saci.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/feeds/2822592977364812017/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642283&amp;postID=2822592977364812017' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/2822592977364812017'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/2822592977364812017'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/2007/07/onde-mora-o-pipoqueiro.html' title='Onde mora o pipoqueiro?'/><author><name>tamarindo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05219313432851550070</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642283.post-4875618938304650711</id><published>2007-04-25T20:25:00.000-03:00</published><updated>2007-04-25T20:30:58.476-03:00</updated><title type='text'>Keyla</title><content type='html'>“Mas que moleza, eihn!”, exclamou a loira, ao me ver guardando meio desajeitado uma anilha de dez quilos. Era assim que ela me cumprimentava, uma alternativa divertida à caretice do bom-dia e ao mesmo tempo uma provocação à minha virilidade. Embora eu estivesse acostumado com o jeito marrento da moça, estranhei a presença da instrutora no horário da manhã, o preferido das cinquentonas e dos anti-sociais da academia como eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resolvi meu impasse com a anilha e pude erguer o corpo para retribuir o cumprimento. Só então constatei como ela estava perto de mim. Um palmo de distância, ou menos. A instrutora, Keyla é o nome dela, me fitava com seu rosto misterioso que um dia desvendarei. É uma expressão grave sem ser solene, dura e lasciva em medidas iguais. Seus olhos verdes miraram os meus e desceram em direção ao meu tórax, subindo e encontrando seus colegas castanhos novamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei ali, a olhar aqueles olhos e com vontade de enlaçá-la pela cintura, comprimir meu corpo contra o dela e beijá-la sem medo. Decifrar, só com olhares, os enigmas guardados no seu rosto banal, sem me importar se eles não forem agradáveis como os poucos segundos face a face com ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cumprimentei-a com um “oi” tão competente quanto meu trato com a anilha de dez e a vi partir para a esteira ergométrica. “Decifro-te”, disse para mim mesmo, antes de iniciar a série de abdominais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642283-4875618938304650711?l=tamarindo-saci.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/feeds/4875618938304650711/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642283&amp;postID=4875618938304650711' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/4875618938304650711'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/4875618938304650711'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/2007/04/keyla.html' title='Keyla'/><author><name>tamarindo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05219313432851550070</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642283.post-7711426164881348501</id><published>2007-02-26T23:52:00.000-03:00</published><updated>2007-02-26T23:53:08.564-03:00</updated><title type='text'>Dois braços</title><content type='html'>Tenho a capacidade de tirar coisas boas de situações aparentemente ingratas. Andar de ônibus é uma delas. O caminho para o trabalho é um desfile de beldades. Tem a morena esguia do Tribunal de Justiça, a baixinha de seios fartos sexy e falante e uma loira quase perfeita do alto dos seus saltos, não fosse o vestido curto a cobrir-lhe as vergonhas. Essa última, desconfio, tem a função de motivar os colegas do trabalho. Uma circulada pelo escritório e pronto: sonolentos ficam ativados, relapsos rendem mais e a turma do cafezinho volta para seus lugares, iludidos de que o trabalho duro os compensará com os carinhos da moça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa dessas manhãs entrou uma moça e sentou-se ao meu lado. Era uma loira, mais de vinte e cinco, roupas da moda, óculos escuros caros no rosto e aquele jeito de mulher que nunca me daria uma chance. Ela sentou-se e colou seu braço contra o meu. Fôssemos corpulentos, não haveria nada de errado nisso, só que éramos dois magros, e o contato não era inevitável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu lia uma revista de negócios e por um momento me esqueci das franquias mais promissoras para aproveitar tão íntimo contato. Eu podia sentir a maciez da pele. Temia que ela se desse conta do toque e afastasse o braço meio centímetro para a esquerda. Resolvi deixar a leitura de lado e desfrutar do pouco que a moça me oferecia. Cada curva, cada solavanco do veículo eram uma fonte de prazer. Os quilômetros avançaram e a ternura tomou conta da lascívia inicial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltei para a revista, dono da situação. A moça era minha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O enfado chegou antes do ônibus cruzar a terceira-ponte. A quentura da moça era uma vaga lembrança em meu braço. Seus tornozelos,  suas mãos, seu perfil, nada mais me interessava. Hora de descartá-la.  Não tive esse trabalho. Como veio ela se foi. Não a vi no outro dia, na outra semana nem um mês depois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem sabe um dia nos encontramos, numa boate, talvez, onde ela vai ignorar sem nenhum pudor o affair que tivemos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642283-7711426164881348501?l=tamarindo-saci.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/feeds/7711426164881348501/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642283&amp;postID=7711426164881348501' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/7711426164881348501'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/7711426164881348501'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/2007/02/dois-braos.html' title='Dois braços'/><author><name>tamarindo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05219313432851550070</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642283.post-112753870742974267</id><published>2005-09-24T02:08:00.000-03:00</published><updated>2005-09-24T02:11:47.436-03:00</updated><title type='text'>O CARREGADOR</title><content type='html'>&lt;em&gt;por Adalberto Silva&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O carregador de compras acompanhava mais uma cliente. Branca como a Nicole Kidman, cabelos lisos e castanhos, recém chegada à casa dos vinte, ela ouvia com bem-disfarçado interesse a palestra do rapaz. Este não parava de falar enquanto empurrava o carrinho cheio de gêneros de primeira necessidade. Sabia que os cerca de 300 metros entre o supermercado e a casa da moça seriam consumidos tão rápido  quanto o salário mínimo que recebia todo mês. Tinha pouco tempo para impressionar a mais bela entre todas com quem dividira os passos nesses dois meses de trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já havia carregado compras de umas trintonas malhadas, hidratadas e desimpedidas, muitas das quais o tratavam pelo nome, mas os grilhões da resignação e o medo de algo bater nos ouvidos do encarregado o impediam de articular uma paquera. Agora não, não havia perigo de demissão ou voz interior apitando um “coloque-se no seu lugar” capazes de frear sua investida contra a universitária do interior, bisneta de italianos, estudante de Enfermagem e amante de polenta. As intenções do carregador eram bem diferentes das que reservava às balzaquianas em roupas de ginástica. Ele elegeu aquela menina de short jeans desbotado, blusa de malha rosa e sandália baixa para namorada, queria tomar sorvete com ela no shopping e desfilá-la na pracinha do bairro. Só faltava ela aceitar o posto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Eu venho aqui direto, tem uma cliente que liga e o gerente já sabe tudo que ela compra, disse animado, recebendo em troca um sorriso cordial e um pra-cima e pra-baixo com a cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ele falava. Falava dos colegas indolentes, da habilidade em embalar as compras, de alfaces, tomates e sorvetes de morango, da fragilidade dos ovos e do peso dos garrafões de água. Do alto da sua sabedoria de supletivo, omitiu sobre as donas-de-casa folgadas que nunca lhe davam gorjeta. E ela ouvia, sem enfado nem empolgação. Só abriu a boca para soltar o contundente “é aqui”, que soou para nosso amigo como o grito eufórico da torcida soa para o último corredor quando o primeiro termina a prova dos 200 metros rasos. Como o corredor, ele não reduziu o passo diante da derrota iminente. Continuou a prosa até o “muito obrigado”, que para ele, e ele disse isso mais tarde a um colega do trabalho, caiu como o apito final do juiz impugnando as esperanças do seu time de futebol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltou para o supermercado derrotado, embora achasse que havia jogado bem e só pecara nas finalizações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Ela me deu o maior mole, rapaz, cê tinha que ver!, gabou-se ao amigo, com quem esperava o ônibus das 22h30.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642283-112753870742974267?l=tamarindo-saci.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/feeds/112753870742974267/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642283&amp;postID=112753870742974267' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/112753870742974267'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/112753870742974267'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/2005/09/o-carregador.html' title='O CARREGADOR'/><author><name>tamarindo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05219313432851550070</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642283.post-111621043226051600</id><published>2005-05-15T23:24:00.000-03:00</published><updated>2007-08-15T17:56:05.352-03:00</updated><title type='text'>QUARENTAS</title><content type='html'>&lt;em&gt;por Adalberto Silva&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho grande admiração pelos homens de quarenta anos. Calma, leitor apressado, não traí os meus princípios de homem com H, apenas refiro-me a respeito, reverência e um pouco de inveja também. Se antes eu desejava seguir a lição punk de viver pouco e intensamente (até nisso falhei), hoje me exercito diariamente para chegar à meia idade em excelente forma física.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes tenho vontade de dormir e só acordar com quarenta e poucos anos de idade, cheio de vivência, seguro dos meus valores, sem alimentar ilusões inalcançáveis. Posso estar enganado, talvez absolutamente enganado, mas é assim que me imagino daqui a vinte e tantos anos. Imagino que é a partir dessa idade que as ilusões vão para o espaço, ou para a puta-que-pariu mesmo. Se não ganhei uma fortuna com meu trabalho, não é agora que vou ganhar, se ainda não comi alguma gata capa da Playboy, não será agora que comerei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não escrevo pensando em tipos como Hemingway, um monstro aos 40 que já era um monstrinho promissor aos 20, ou Camus, ganhador do prêmio Nobel aos 44. Tampouco penso no executivo que entrou numa corporação aos 25 e quinze anos depois tem chances concretas de alcançar um posto de direção na empresa. Penso em caras comuns, de pouco dinheiro, pouco talento, pouca beleza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os homens de quarenta conseguem transmitir segurança até nas horas em que falam asneiras. Parecem durões mesmo quando não passam de meninos medrosos, inseguros, apaixonados. As rugas em seus rostos são como os talhos feitos nas faces de certos aborígines, nos rituais de iniciação à vida adulta. Impõem respeito. Ignore as obrigações com o sentido da história e imagine o Rick Blaine de Casablanca interpretado por galã jovenzinho. Não dá. O personagem perderia o vigor dramático exalado pelo Humphrey Bogart de 43 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode ser que eu esteja equivocado e que as linhas acima não passem de uma grande estupidez, obra de um cara na aurora de seus twenties escrevendo sobre o que ainda não conhece. Pode ser que o texto provoque gargalhadas sarcásticas em leitores quarentões. Não me importo muito com isso. Sei do risco que corro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642283-111621043226051600?l=tamarindo-saci.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/feeds/111621043226051600/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642283&amp;postID=111621043226051600' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/111621043226051600'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/111621043226051600'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/2005/05/quarentas.html' title='QUARENTAS'/><author><name>tamarindo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05219313432851550070</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642283.post-111284525876104461</id><published>2005-04-07T00:38:00.000-03:00</published><updated>2005-04-07T00:40:58.763-03:00</updated><title type='text'>PELA ÚLTIMA VEZ</title><content type='html'>&lt;em&gt;por Adalberto Silva&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O artifício é bem desgastado, mas escritores aspirantes de meia-tigela como eu insistem em culpar a falta de inspiração pela ausência de produção literária. Ignoramos os noticiários, as conversas banais de todo dia, a morte do Papa, a morte do príncipe Rainier, o Fla-Flu da semana passada, os sons que nos rodeiam, as musas eternas (Alessandra Negrini, pensei em ti), as musas descartáveis (na capa da Playboy deste mês), as musas de carne e osso. Preferimos acreditar que escrever é um ato milagroso, que as idéias nos são ditadas por um duende prestativo chamado Inspiração, amigo apenas dos talentosos e dedicados. Só não perguntamos como fazer para ganhar a amizade do ser encantado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto isso, deixamos de aguçar a visão e continuamos míopes, incapazes de tirar boas histórias de cenários a princípio estéreis. Perde-se tempo com isso. No futuro, ganha-se frustração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não quero mais sentar para escrever e ficar olhando o vai-e-vem do cursor na tela ainda virgem, enquanto espero o duende Inspiração encher a página do Word com um texto de 5874 caracteres irretocáveis e sem cobrar nada por isso. Pela última vez, e aqui arrisco-me a fazer promessa, dou espaço à falta de inspiração. Seja no template deste obscuro blog, seja na esfera da minha vidinha banal.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642283-111284525876104461?l=tamarindo-saci.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/feeds/111284525876104461/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642283&amp;postID=111284525876104461' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/111284525876104461'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/111284525876104461'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/2005/04/pela-ltima-vez.html' title='PELA ÚLTIMA VEZ'/><author><name>tamarindo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05219313432851550070</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642283.post-110273172685121948</id><published>2004-12-11T01:19:00.000-02:00</published><updated>2004-12-11T00:22:06.850-02:00</updated><title type='text'>SONO DE CACHORRO</title><content type='html'>&lt;em&gt;por Adalberto Silva&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu vi um cachorro morto. Vi quando caminhava em direção à locadora, onde iria devolver o filme “Amores Perros”, que a tradução transformou em “Amores Brutos”. Não pude deixar de notar o absurdo da situação: o cachorro caído na calçada, cercado por meia dúzia de curiosos e eu vendo tudo isso carregando nas mãos um filme de forte presença canina. Ignoro a raça do cão, de pêlo curto e branco coberto de manchas circulares pretas. Talvez fosse um dálmata. Ou um filhote de dog alemão. Pensei, a princípio, que o ele estivesse ferido e que as pessoas ao redor estivessem esperando o socorro médico, que iria imobilizá-lo, cobri-lo com um cobertor prateado e levá-lo ao pronto-socorro numa UTI móvel. A idéia ingênua sumiu da minha cabeça assim que o DVD retornou à prateleira da locadora. Na volta o cão ainda estava lá, imóvel, com o focinho coberto por uma fina camada de sangue. Pude reparar melhor nas pessoas que o cercavam: um homem de meia idade em traje social, duas mulheres também de meia idade vestindo bermudas, camisetas de malha e chinelos, outro homem e uns dois garotos. Deduzi que o cão fora atropelado pelo homem em traje social e que um das mulheres era sua dona. Deduzi que o cão fugira de casa e estava alegre com a liberdade conquistada, antes de morrer atingido por um carro vermelho metálico. Imaginei muitas outras coisas a respeito enquanto voltava para casa. Tentei buscar um significado para o fato, como se fosse algo metafísico, uma  trama costurada pelo destino. Concluí que minhas idéias não passavam de bobagens. Ao contrário do acidente de “Amores Perros”, aquele acidente não mudaria a vida de ninguém. Nem a da dona do cão, nem a do homem que o atropelou e tampouco a minha, que estava ali por acaso. Ao contrário do filme, a hemorragia do cachorro era escassa e sem cor, o motorista não fugia de uma perseguição, o céu não tinha efeito de photoshop e meus passos não eram marcados por trilha sonora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida fora da película é assim mesmo, um pouco insossa.     &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642283-110273172685121948?l=tamarindo-saci.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/feeds/110273172685121948/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642283&amp;postID=110273172685121948' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/110273172685121948'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/110273172685121948'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/2004/12/sono-de-cachorro.html' title='SONO DE CACHORRO'/><author><name>tamarindo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05219313432851550070</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642283.post-109599849286737801</id><published>2004-09-24T01:01:00.000-03:00</published><updated>2004-09-24T01:16:52.666-03:00</updated><title type='text'>ÚLTIMA CANÇÃO</title><content type='html'>&lt;em&gt;por Adalberto Silva&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vez ou outra a lembrança da cena surge sem pedir licença: o eletricista na sala de estar da minha casa, sentado no sofá macio com um cigarro entre os dedos e os olhos fechados enquanto ouve “A última canção”. Paulo Sérgio em CD pirata, no aparelho de som já antiquado, quase na hora da Ave Maria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O eletricista é um branquelo magro, comprido, quarenta e poucos anos chegando aos cinqüenta, boca com uns dentes a menos e aquele olhar sereno de quem aceita o desenrolar da vida. Eu encomendava com ele aquilo que eu não podia pagar nas lojas. Ou melhor, algo que funcionasse mais ou menos (sempre muito menos!!!) como meus objetos de desejo. Foi ele quem construiu a caixa amplificada com a qual eu tocava baixo. Uma caixa pouco potente e temperamental, que distorcia quando eu queria som limpo e emitia som cristalino nas horas em que eu pedia um fuzz. Mesmo assim me diverti horrores com ela. Depois da caixa, vieram o PC 386 que cheirava a queimado, a ilha de edição caseira que nunca chegou a funcionar e o gato da tevê por assinatura. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não me lembro exatamente o que fazia naquele início de noite. Só sei que estava ocupado quando a campainha tocou e o amigo me pediu o favor. Disse que havia conseguido o CD emprestado e queria ouvi-lo, ainda que rapidamente. Ele não tinha CD player em casa. Permiti, e em segundos ele já manipulava o som com a intimidade conquistada por meia dúzia de consertos no aparelho. Faixa um, faixa dois, faixa três, faixa quatro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Esta é a última canção que eu faço pra você&lt;br /&gt;já cansei de viver iludido só pensando em você&lt;br /&gt;se amanhã você me encontrar&lt;br /&gt;de braços dados com outro alguém&lt;br /&gt;faça de conta que pra você &lt;br /&gt;não sou ninguém" &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele apanhou o maço de Derby azul no bolso da camisa folgada, fisgou um cigarro e o acendeu sem cerimônia. A residência onde fumantes são aconselhados a saciar o vício na varanda foi tomada pelo cheiro de tabaco. A fumaça me incomodava. Soltei um espirro meio dissimulado. O eletricista, com o cigarro entre o polegar e o indicador, me pediu um cinzeiro. Fiquei preocupado com o cheiro nas cortinas, com as cinzas no tapete, com o estado da sala na hora da novela das seis, sagrada para minha mãe. Pude entender o olhar do sacristão ao me ver de boné na igreja do bairro, uns dez anos atrás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faixa cinco. O eletricista apertou stop e retirou o CD. Ficou mais altivo, renovado. Ofereci café e ele aceitou. Bebeu depressa, levantou-se e pegou a bolsa e caminhou em direção à porta. Na saída, me agradeceu e perguntou se eu queria comprar um Master System. Respondi que não tinha dinheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei por que, mas gosto de contar esta história para os amigos. De uns tempos pra cá, passei a contar também para os possíveis amigos. Os que escutam com admiração merecem a minha amizade. Os que não disfarçam o enfado ganham cartão vermelho. Até agora ninguém foi aprovado no teste.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642283-109599849286737801?l=tamarindo-saci.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/feeds/109599849286737801/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642283&amp;postID=109599849286737801' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/109599849286737801'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/109599849286737801'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/2004/09/ltima-cano.html' title='ÚLTIMA CANÇÃO'/><author><name>tamarindo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05219313432851550070</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642283.post-109381715838773679</id><published>2004-08-29T18:52:00.000-03:00</published><updated>2004-08-30T11:22:31.753-03:00</updated><title type='text'>AMO MULHERES QUE FUMAM</title><content type='html'>&lt;em&gt;por João do Papel&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Está nos cinemas, e talvez esteja no coração de gente como eu, o novo filme de Woody Allen chamado "Igual a todas as coisas". A personagem principal (e musa da geração) é defendida por Cristina Ricci, que fez a colegial triste e de peitos grandes em "A Família Adams".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela transformou-se em gênio do blazé. É daquelas que podem relaxar e interpretar apenas um personagem: ela mesma. Samuel L. Jackson disse isso. Algo como "sou mais legal que todos estes quilos de papel que os roteiritas escrevem". No filme, Ricci é louquinha e encanada, mas bastante curiosa. Seduz porque vive numa hora mais do que as mulheres ordinárias em algumas encarnações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma das linhas menos engraçadas é quando o ator principal, um jovem escritor que pede conselhos ao persongem de Woody Allen, confessa que pela primeira vez se apaixona por uma fumante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Azar o dele. Porque, venho pensando, é a coisa mais linda. Cristina, pele branca, tons de rosa -- bochechas, pescoço, ventre --, segura entre os dedos, e mantém os olhos muito abertos enquanto faz isso, um cigarro. Muita sensualidade, mas não como antigamente, quando as baforadas eram receitadas contra ansiedade e o tabagismo feminino era largamente tolerado. O cigarro que ela segura é a máquina de matar, o flagelo, o monstro de nicotina. Assim como os Valiums e Prozacs que ela mantém no banheiro. Ela é jovem, e está se matando. Mas não é "dark"; na verdade, passa longe disto. Usa roupas vaporosas, alegres, como um vestido florido, ou uma camiseta básica e calcinha de algodão (só isso!).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais tarde, na rua, reparei em uma menina que passava, uma jovem de pouco mais de quatorze anos, branca como o leite, e de bochecha rosada, enfim, saudável como um bebê. Ela fumava. Existe perversão nisso, eu sei, mas fiquei excitado com aquela visão. Uma garotinha inalando fumaça preta. A auto-depreciação pública, mas dessa maneira, leve e tolerável, é o peep-show mais bonito do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642283-109381715838773679?l=tamarindo-saci.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/feeds/109381715838773679/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642283&amp;postID=109381715838773679' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/109381715838773679'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/109381715838773679'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/2004/08/amo-mulheres-que-fumam.html' title='AMO MULHERES QUE FUMAM'/><author><name>tamarindo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05219313432851550070</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642283.post-109286001723201278</id><published>2004-08-18T16:42:00.000-03:00</published><updated>2004-08-18T17:22:38.436-03:00</updated><title type='text'>PRETENSÃO, OU O SENTIMENTO QUE DESTRUIU MINHA ALMA</title><content type='html'>&lt;em&gt;por João do Papel&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sentimento que destruiu minha alma. Devo repetir isto. Um menino, engraçado, que um dia acordou cedo para ter um sonho de amor e compreensão, hoje é candidato à humilhação das noites improdutivas, engrenadas em nicotina e cafeína.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em verdade, hoje, daria mais prazer escrever sobre nada (a arte do vagabundo). O importante seria escrever bem. "Está aí o segredo da coisa!", grita alguém na segunda fileira. (Deixem espaço para a auto-indulgência --acho que encontrei um pensamento que vale alguma coisa.) Penetrarei a narrativa de minha própria tragédia e descobrirei que o texto não corre porque me obrigo a escrever bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Devo ter muita coragem para dizer que é assim. Convidar alguém a ler um texto meu; não oferecer nada, idéia ou ponto de vista, ou neologismos. Nada)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tenho talento, nunca fui escritor. Na verdade, escrevo muito mal: você percebe que é um estilo difícil, doído. Repito erros como um carteiro doido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi a pretensão que me trouxe até aqui. Fez com que caísse em mim a carapuça de escritor; embora esta idéia tenha permanecido estanque dentro de minha cabeça. Nada a ver com a realidade. A pretensão cega me fez acreditar que tenho um texto legal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Posso ter um bom coração, mas não tenho facilidade, desenvoltura. Um mal escritor, e basta de palavras.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642283-109286001723201278?l=tamarindo-saci.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/feeds/109286001723201278/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642283&amp;postID=109286001723201278' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/109286001723201278'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/109286001723201278'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/2004/08/pretenso-ou-o-sentimento-que-destruiu.html' title='PRETENSÃO, OU O SENTIMENTO QUE DESTRUIU MINHA ALMA'/><author><name>tamarindo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05219313432851550070</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642283.post-109228082268120902</id><published>2004-08-12T00:15:00.000-03:00</published><updated>2004-08-12T00:20:22.680-03:00</updated><title type='text'>VAPOR DE SÓDIO</title><content type='html'>&lt;em&gt;por Adalberto Silva&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O corredor chega à ladeira. É a parte preferida do seu treino noturno. Ele está cansado, ofegante, com as pernas doloridas, mas com o ânimo renovado pelo trecho íngreme de aproximadamente 300 metros. Lá não há ruído de carros, pedestres em demasia, guardas entediados, travestis barulhentos. Ele só ouve o som do esvaziar e encher dos seus pulmões misturado ao toc-toc-toc dos tênis batendo no asfalto. As duas beiradas do caminho são cobertas por pés de bambu, que se tocam lá no alto formando uma espécie de túnel. Ali, no túnel, o corredor se sente poderoso, mais rápido, mais resistente, sem dor, cansaço ou sede. Ele é o Senhor do Universo, o super-homem, mesmo que por uns míseros minutos. Experimenta a sensação de ser único, cai em êxtase diante da individualidade plena a tocar-lhe os ombros. Levanta a cabeça, olha para o céu, fecha os olhos por uns instantes. Recomposto, avista uma pequeno galho de bambu logo à frente, alguns centímetros acima dos seus braços erguidos. Pula para tocá-lo e também para celebrar o momento ímpar. Não alcança. No pouso, pisa desajeitado e cai de joelhos. Ergue-se rapidamente e continua a corrida, pois nada pode deter o Senhor do Universo. Engano. Um tec-tec-tec informa que ele não está sozinho na ladeira escura. Logo depois de se levantar, o corredor é ultrapassado por outro atleta, com o mesmo tênis preto, joelheira na perna esquerda, camiseta branca e short azul. Seria um clone, um duplo?, delira, pouco antes de voltar à realidade. Após a queda e a ultrapassagem, o Senhor do Universo deu lugar a um amontoado de músculos, tendões e ossos encharcados de suor. O corredor é só mais um entre bilhões. Está desapontado, como o menino que vê seu sorvete espatifado no chão logo na primeira lambida. Mas no dia seguinte ele estará lá, no seu portal de bambu pintado com luzes de vapor de sódio, delirando que é Rei, desta vez com o cuidado de olhar para trás para ver se há algum estraga prazeres por perto.        &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642283-109228082268120902?l=tamarindo-saci.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/feeds/109228082268120902/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642283&amp;postID=109228082268120902' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/109228082268120902'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/109228082268120902'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/2004/08/vapor-de-sdio.html' title='VAPOR DE SÓDIO'/><author><name>tamarindo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05219313432851550070</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642283.post-109080534172765162</id><published>2004-07-25T22:26:00.000-03:00</published><updated>2004-07-25T22:29:01.726-03:00</updated><title type='text'>Fragmento</title><content type='html'>&lt;em&gt;por Adalberto Silva&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mesa comprida ocupada por sete pessoas silenciosas deixava o almoço com ar solene. O pai, sentado na cabeceira, jogava farinha no prato com sofreguidão e seriedade. As quatro filhas comiam quietas, pescoços duros, olhos fixos, mastigação lenta. A matriarca, também silenciosa, preocupada em servir bem o marido e a mim, que estava sentado na outra ponta da mesa de madeira de lei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cardápio era uma mistura de sabores e origens diversas. Não sei se comiam sempre daquela forma (creio que sim, pois não esperavam por visita), misturando, em lar alemão, a polenta italiana com feijão preto cheio de carne-seca, frango ensopado com quiabo, farinha de mandioca (muita farinha!), torresmo, lingüiça de porco frita. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu comia forçado, apesar das horas de inanição. Não sei o motivo, pois a comida era boa. Estava mais interessado em contemplar a luz que invadia o recinto e ressaltava os vapores emanados das carnes e dos acompanhamentos. Queria sair logo, comer, beber uma água, depois fumar e conversar com o chefe da família, como manda a boa educação, e seguir meu rumo. Ao mesmo tempo estava atraído pelo clima primitivo do lugar, ainda sem televisão ou rádio, com hábitos da época dos meus avós, com aquelas quatro moças lindas, de peles branquíssimas, cabelos loiros e compridos, rústicas, iletradas, mas donas de uma beleza que a lida na lavoura logo roubará.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensei em pedir trabalho ao senhor Kultz e ficar durante uns dias no sítio, dormindo no quarto do fundos. Desisti. Concluí que não poderia pôr em risco a harmonia da família de lavradores com meu fardo. Findo o almoço e as confraternizações com o patriarca, peguei a mochila e retomei a jornada, sem saber que dois olhos azuis de menina me observavam com intenções sórdidas.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642283-109080534172765162?l=tamarindo-saci.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/feeds/109080534172765162/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642283&amp;postID=109080534172765162' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/109080534172765162'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/109080534172765162'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/2004/07/fragmento.html' title='Fragmento'/><author><name>tamarindo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05219313432851550070</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642283.post-108873830172864180</id><published>2004-07-02T00:13:00.000-03:00</published><updated>2004-07-02T00:18:21.726-03:00</updated><title type='text'>DOCE VINGANÇA (OU VERÔNICA)</title><content type='html'>&lt;em&gt;por Adalberto Silva&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chovia fino quando se reencontraram. Ele olhava para fora da janela do ônibus, distraído com o cinza do céu, as luzes dos carros, os reflexos e o vaivém de pessoas naquele entardecer de junho. Um leve toque no ombro o fez acordar. Era Verônica, a antiga namorada. Os dois não se viam há pouco mais de um ano. Seguiram o protocolo: como vai?, tudo bem?, o que está fazendo?.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele saltou primeiro. A chuva fina deixava em seu casaco preto incontáveis gotinhas prateadas, o vento gelado balançava as árvores, os faróis iam e vinham, mas o rapaz não ligava mais para aquela paisagem invulgar na sua cidade. Perguntava-se, caminhando com os olhos no chão de pedra portuguesa, como pôde romper com Verônica, acabar tudo quando o relacionamento ainda valia a pena. Sim, lembrou-se porque rompera. Seu código de ética, naquela época, obrigava-o a retirar-se sempre no melhor momento. Valia para qualquer ocasião: encontros em botecos, festas, partidas de basquete, grupos de estudo, etc. Com o namoro não poderia ser diferente. Um telefonema frio numa noite de verão e pronto: uma moça de 23 anos, cabelos negros e escorridos, avessa a praia, olhos verdes e nem bonita nem feia chorava do outro lado da linha. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em casa, estatelado na cama, sofria de arrependimento. Não pela falta cometida (ele realmente acreditava na retidão do ato) e sim porque a Verônica por ele dispensada estava ruiva, mais bonita, mais faladeira, com umas roupas que ele só via na televisão ou nas páginas da Elle folheadas na sala de espera do dentista. Tinha até tatuagem!, é!, três estrelinhas desenhadas no lado direito do pescoço. Decidiu reconquistá-la. Um telefonema, um encontro na Cafeteria Hats e o mea culpa estratégico. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ligou no dia seguinte, do escritório. A falsa ruiva com piercing na língua (ele não viu este detalhe) atendeu, não muito longe dali, e aceitou o convite: Cafeteria Hats, hoje, 18h30.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Verônica chegou na hora marcada. Ele já estava lá, com uma xícara fumegante debaixo do nariz. Os cumprimentos triviais e depois conversa, muita conversa e nenhum sinal de mágoa. Na verdade um monólogo estrelado por Verônica. Ela falava, falava, falava, mas foi sem palavras que apunhalou as intenções do seu espectador. Certa hora, enquanto jogava a franja para trás, exibiu a tatuagem no antebraço que as mangas compridas escondiam. Com uma caligrafia caprichada, igual àquelas usadas em convites de casamento, estava desenhado o nome da sua paixão, o Rodolfo. O aspirante a (re)conquistador não consegui disfarçar a dor causada pelo golpe, o primeiro da noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O segundo e derradeiro veio na figura de um magrelo de cabelos vermelhos e alegremente vestido, que se aproximou da mesa circunspecto. Verônica pediu licença e se levantou para saudá-lo. E que saudação. Rodolfo e Verônica não trocaram uma palavra. Apenas beijaram-se demorada e apaixonadamente. O ex-namorado comeu três pães de queijo e engoliu meia xícara de chá antes de pôr uma nota de 10 reais deitada sob o pires e partir sem olhar para trás.&lt;br /&gt;      &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642283-108873830172864180?l=tamarindo-saci.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/feeds/108873830172864180/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642283&amp;postID=108873830172864180' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/108873830172864180'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/108873830172864180'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/2004/07/doce-vingana-ou-vernica.html' title='DOCE VINGANÇA (OU VERÔNICA)'/><author><name>tamarindo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05219313432851550070</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642283.post-108728704089625187</id><published>2004-06-15T05:09:00.000-03:00</published><updated>2004-06-15T05:10:40.896-03:00</updated><title type='text'>REDENÇÃO</title><content type='html'>&lt;em&gt;por João do Papel&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Sentada sobre a táboa suja de cimento, oitavo andar do prédio em construção. A menina levantou-se sem dificuldade, girou a bolsa que trazia consigo, levou o dedo até uma das paredes que escorava o guarda-chuva, tirou com a unha um pedaço de tinta, guardou em seu bolso e tornou a sentar."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro parágrafo de seu novo conto não ia além disso. Uma menina desconhecida, sem memória, que daria uma perfeita esposa ou namorada, mas que só havia na sua imaginação. Prioridades, pensou. História primeiro, esposa depois. Olhou no relógio sobre a mesa: já passara da hora de dormir. Deveria acordar e refazer mais um dia, ser um menino comportado em mais uma manhã fria. Como gostava de lembrar do tempo quando eram todos inocentes e tomavam o café fumegante que a avó fazia, e se fartavam da broa, desvelando-a, que sempre estava coberta com um pano de tecido velho, um linho com as fibras espaçadas, a trama quase desfeita. Pensava nisso enquanto olhava para o irmão dormindo. Há duas semanas ele toma remédios para dormir, está começando a melhorar dos ataques de "agora fudeu, quero voltar, não vai dar certo". Ele e o irmão eram invencíveis nas brincadeiras do bairro, e eram também as crianças mais educadas. Embora isso não tenha importado muito, já que, por dentro, debochavam com gosto. Seu irmão e ele, dois príncipes na casa da avó, tomando café em canecas de esmalte, pisando o chão frio com chinelos que eram guardados numa sala especial, como tesouros, especialmente para eles, que se abraçavam e riam bastante, esperando a nova broa sair do forno, mexendo a cabeça nas ondas de erva doce que o velho fogão emitia, experimentando um extase religioso (depois descobriria que parece mais o sexo bom). Agora, os dois estão nessa cidade estranha, e um deles está doente. O irmão, que daqui a algumas horas terá que sair, enfrentar o frio e o gelo nas bochechas, atravessar meio mundo para trabalhar. Ele não, ele fica em casa, de licença no emprego, sob desculpa de dar os últimos retoques numa ficção que, propaganda dele mesmo, vai superar grande parte do que é publicado hoje no mundo. E como a literatura nacional está de fato ruim, e como ele escreve até bem, entrega textos pequenos e rápidos sobre assuntos às vezes difícieis, foi-lhe creditada a tarefa. Mas está há três dias dormindo pouco, trabalhando pouco, pensando demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquele primeiro parágrafo foi a única coisa que fez e achou decente. Lembra de ter lido algumas revistas matérias esporádicas, nem matérias inteiras, mas parágrafos destilados entre outros interesses, sobre escritores famosos e suas maneiras de criar. Já havia tentado caminhar, correr, jogar xadrez, fazer sexo com prostitutas. A inspiração não descia. Ele tinha certeza de que estava ali, no topo da cabeça, isolada do resto, como óleo sobre a água. Sentia mais que um conto para ser publicado em revista. Tinha certeza que era até mais que um livro, talvez uma coleção de romances ricos em detalhes e significado, pulsando de vida e capaz para mudar quem lesse. Mas a inspiração não se misturava com a parte que desce para os dedos, para o teclado. Ele estava ficando maluco de tentar reagir a inspiração, misturando-a com o resto. E o tempo passava. Já eram quatro dias, intensos como os primeiros de uma guerra, de um divórcio. A vontade de escrever não morria, mas o corpo físico sentia cada segundo como um prisioneiro sob tortura. A inspiração, esse óleo perfumado, repousando sobre o caldo ralo da consciência, enganava, fingia que se misturava. Repare que, quando se agita bastante um recipiente com óleo e água, eles parece se misturar, porque o óleo é quebrado em gotas muito pequenas. Mas de bem perto, você vai ver que tudo não passa de água recheada com pequenas esferas douradas, que com o tempo voltam para a cobertura e descansam como sempre. Óleo intocável. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu irmão acordou. Assustado, como sempre. Perguntou as horas com voz rouca, o nariz escorrendo, molhando a fronha do travesseiro. Que vontade de abraçar o irmão e chorar por horas. Disse para ele para dormir mais um pouco. O irmão abaixou a cabeça, deixando a vista apenas um recorte de sua cabeleira desarrumada, e a face, adornada por uma pequena jóia, que brilhava com a luz da rua. Ele ficou curioso e abaixou-se para ver melhor. Pisou na borda da cama para equilibrar o corpo, apoiou a mão no colchão, sem que o irmão sentisse, para que continuasse a dormir. Em vão. A jóia era seu olho, que não relaxava ou piscava, apenas brilhava. Seu irmão respirava rápido, e parecia pensar mais rápido ainda, de madrugada, olhando o poste de iluminação pública. Sentiu mais um aperto no coração. Voltou para o computador, para o parágrafo, para a ficção que nasceu pretensiosa e nunca vai ver a cor do papel de revista; o destino da tarefa assumida parece ser o de fechar o ciclo de mais um emprego, da principal fonte de renda da casa. Mais uma vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cada vez que relia o parágrafo, o desespero ganhava reforço desnecessário. Não existe nada naquelas pobres linhas. Entrelinhas vazias. O que tinha na cabeça quando pensou que seria possível? A inspiração não está em lugar algum. Talvez estivesse mesmo dentro dele, ao lado do coração, atrás do pulmão, sobre o fígado. De repente, o fígado parece uma escolha viável. A volta de uma antiga sensação também o animou. Do tempo quando bebia cachaça barata com os amigos, ouvia música alta e falava de mulheres quentes. Seu irmão não gostava disso. Era de caráter menos frágil, mais inteligente, falante, querido. Vegetariano desde os 14 anos, não usava copos de papel descartável. Mas, voltando ao fígado, depois de render completamente o órgão, essas noites de esbórnia acabavam ao pé de boldo no quintal da casa, ironicamente cultivado pelo irmão careta. Depois de tomar um chá amargo e de textura porosa, sentia-se como um deus escriba. Sentava na mureta da varanda, virava a cara para o resto do mundo e escrevia como um evangelista. Trazia personagens para lugares que só ele conhecia, pelo braço, como nos filmes americanos quando alguém guia a pessoa vendada até uma surpresa. Era uma brincadeira sensual, tirar a cegueira dos personagens aos poucos, porque ele sabia o que estava se passando, ao contrário deles. Era Deus, com maiúscula. Uma divindade alcoolizada e de boldo escorrendo pelo queixo, fazendo uma linha verde na camisa. Ele escrevia um desses parágrafos e ia para a frente do espelho, olhar os olhos de Deus. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os personagens, muito seus amigos, estavam todos bêbados e em volta da mesma fogueira, na noite de hoje, se aquecendo do frio e do medo. Mas nenhum deles falava. Estavam muito acesos, os olhos abertos e faiscantes. Seus personagens interiores estavam expostos, conscientes de tudo, enxergando tudo. Era um problema sério. É como se os olhos dos personagens fossem também os olhos dele. Enquanto ele, o autor, fosse cego para algum assunto, podia ir curando-se a si mesmo, e dando vida ao personagem ao mesmo tempo, fazendo literatura no caminho da luz. Mas, agora, a sensação era que seus personagens eram comparsas trapalhões, nada mais, gente chata porque cumprira sua função no mundo. Estavam estéreis. O contrário da cegueira, a visão plena, talvez seja a cegueira crônica, o esforço diário que o cego faz para enxergar alguma coisa e se adpatar ao mundo normal. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A única coisa que resta é curar o pileque dos personagens. Entrar com tudo em sua própria cabeça, convencer as criaturas a peregrinar ao pé de boldo. Dar tapinhas nas costas e bendizer as maravilhas de mochilar na alma de um escritor, pedir carona para saudades antigas, fazer ciclismo esportivo sobre amores sepultados. Isso é mesmo interessante. Em sua cabeça existem túmulos gigantes para os amores perdidos. Não é o tributo a uma pessoa querida, mas uma laje de cimento como aquela deitada sobre Chernobyll, para evitar que a radiação escape e faça mais mal. É assim que funcionam as sepulturas dos amores, sempre gigantes, com o nome e o camafeu da pessoa, cobertas por  quilometros de cimento cinza, áspero e sem esperança, que é a matéria-prima de fazer o nada, o grande vazio que só cresce com o tempo e a distância. Tempo e distância são a usina do cimento que isola a radiação dos grandes amores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora preciso fazer o café. Seu irmão precisa levantar e se vestir. Ele vai para a cozinha. Um tempo depois:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mano, o café tá pronto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Hum, tudo bem. Você viu? Aquela árvore, caiaram parte das folhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah, sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas isso impede que elas respirem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Hum?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você entendeu o que eu disse?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Caíram as folhas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu disse que caiaram as folhas. Caiar, pintar com cal. A prefeitura sempre faz isso, nos meio-fios e nos troncos de árvores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah, sim. Acho que, antes de ir embora, o pintor deve limpar o pincel nas folhas da última árvore.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não se chama pincel. O nome é broxa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Broxa é você. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tudo bem. Mas o cal faz as folhas morrerem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu acho que a árvore devia ficar feliz que não pintaram todas as suas folhas. Muita gente não tem a mesma sorte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É. Eu também acho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois, quando ele voltou com o pão de forma para o dejejum do irmão, encontrou a cama vazia. Ouviu sons vindo do banheiro, correu até lá e chorou, porque encontrou o irmão sofrendo. Com a cara inchada porque acabara de acordar, seu querido irmão chorava como nunca. E ele chorou mais. Depois chamou-o para tomar café. Passou o tempo todo olhando os ladrilhos tortos do chão. Depois da broa e de se lembrarem da avó, o irmão saiu, aparvalhado, mas com boa reserva de coragem. E ele voltou para o parágrafo. "Sentada sobre a táboa suja de cimento, oitavo andar do prédio em construção."&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642283-108728704089625187?l=tamarindo-saci.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/feeds/108728704089625187/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642283&amp;postID=108728704089625187' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/108728704089625187'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/108728704089625187'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/2004/06/redeno.html' title='REDENÇÃO'/><author><name>tamarindo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05219313432851550070</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642283.post-108614695687154662</id><published>2004-06-02T00:21:00.000-03:00</published><updated>2004-06-12T00:59:17.926-03:00</updated><title type='text'>MENSAGEM ABORTADA</title><content type='html'>&lt;em&gt;por Adalberto Silva&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cursor na tela do micro pisca continuamente, no mesmo ritmo da batida dos pés de C. no ladrilho do quarto, na verdade um cubículo de 3,5 m² em um apartamento diminuto anunciado pela construtora como um exemplo de conforto e status. O cômodo abriga uma cama com baú, um guarda-roupas branco ao longo da parede e a mesa do computador, entulhada de papéis rabiscados, CDs, disquetes, clipes e com uma infinidade de manchas circulares de café ou refrigerante. No ar, o cheiro de cigarro entranhado nos tecidos, madeiras e paredes e retido pela janela sempre fechada acusa o vício do ocupante, que tenta, suado porque é verão, escrever um e-mail libidinoso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;C. cata um cigarro sem olhar o maço enquanto busca palavras para começar a mensagem, que pretende enviar a duas paixões não-declaradas. Um único texto, para duas mulheres diferentes, unidas apenas pelo sobrenome italiano e por serem desejadas (sem saber) pelo mesmo cara. Ele pensou em buscar um modelo pronto na internet, mas desistiu com medo de que elas descobrissem e zombassem da sua falta de criatividade, pior, que encaminhassem o e-mail para amigos, que repassariam para outros amigos, e então C. passaria a ser motivo de chacota. Decidiu se declarar depois que elas deixaram de responder seus e-mails amigáveis. Sentiu que a amizade enfraquecia e pensou em abrir o jogo, escrever palavras apaixonadas só para aliviar a consciência, como o vestibulando que não estudou nada e comparece ao exame certo do fracasso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele acende mais um cigarro. O isqueiro à prova de vento faz um chhhhiiiiiiii e quebra o silêncio do ambiente, cujo calor provocaria desconforto até em operário de alto-forno. C. traga com força. A nicotina caminha pela faringe, traquéia, brônquios e invade os pulmões do rapaz. Dali embarca na corrente sangüínea e atinge o cérebro, onde cria um turbilhão de frases: “linda flor, você foi a coisa mais formosa que nasceu no meu sofrido coração”, “queria-te em meus braços”, “tu és a deusa das minhas noites solitárias”, “amazona insaciável”, “seios deliciosos”. C. fuma, sua, coça a cabeça, cata palavras no dicionário, corrige erros e finalmente termina a carta. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pega mais um cigarro. Vê na fumaça o rosto de R., a loira magrinha, meiga, tímida e um pouco caipira, tão diferente da fogosa e corpulenta F., morena risonha e de lábios carnudos que surge dançando nos vapores malcheirosos. Bebe um gole de coca-cola. Lembra do vocabulário engraçado de R., de pileque após dois copos de vinho. Sente saudade do erotismo adolescente e da gargalhada orgástica de F. Depois, num surto de lucidez, acha tudo aquilo ridículo: o quarto abafado, as guimbas empilhadas no cinzeiro improvisado, a sua barriga flácida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fecha o arquivo do texto sem salvá-lo. Depois escancara a janela e promete parar de fumar. Antes de sair para tomar um banho, ainda diz em voz alta, como uma súplica que ninguém vai escutar porque a casa está vazia: “Foda-se F. e R. Foda-se.”   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642283-108614695687154662?l=tamarindo-saci.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/feeds/108614695687154662/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642283&amp;postID=108614695687154662' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/108614695687154662'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/108614695687154662'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/2004/06/mensagem-abortada.html' title='MENSAGEM ABORTADA'/><author><name>tamarindo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05219313432851550070</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642283.post-108545846692610377</id><published>2004-05-25T00:33:00.000-03:00</published><updated>2004-05-25T01:56:46.890-03:00</updated><title type='text'>A VOLTA DO BOEMIO</title><content type='html'>&lt;em&gt;por João do Papel&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu pai sempre chegava em casa cantando esta música. A bem da verdade, nem sempre. É que tenho mania de escrever "sempre" e "nunca", duas palavras que não existem. Meu amigo Marcos, certa vez, escreveu um artigo sobre a beleza das mulheres, e com sua malícia bem dosada (dele e do irmão, co-autor da peça) trouxe à luz um conceito muito caro da ciência, a inexistencia de extremos. Não existe o zero absoluto, assim como não há nada capaz de se mover à velocidade da luz. Nada além da luz, claro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não estávamos falando disso. O texto era sobre meu pai, e sua canção, "A Volta do Boemio". Escolhi-a porque, depois de um longo período afastado, estou de volta ao emprego mais bem pago, o &lt;em&gt;TS&lt;/em&gt;. Meu bom Deus, como é difícil escrever sobre coisas complicadas. Estou há dois parágrafos tentando falar, mas não sai, não vai sair. Estou até um pouco envergonhado, tentando arrumar um fio de assunto que seja, para não deixar esta crônica ao vento. "Ele voltou, o boemio voltou novamente, saiu daqui tão contente, não sei por que razão quer voltar..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que canção. Quando fecho os olhos, posso ouvir meu pai cantando-a, retornando de um de seus anoiteceres etílicos, depois do trabalho duro na oficina. A letra da canção é a síntese de um recorrente conflito humano: a honra do vagabundo. O varão, quando cresce, precisa sair de casa, em busca de si mesmo, fazer sua peregrinação no deserto, a mesma presente em mil culturas anciãs. Mas, infelizmente esquecida na nossa. Recentemente vi um filme chamado &lt;em&gt;Samsara&lt;/em&gt;, que conta a história de um monge budista. Ele larga o costume para conhecer o que chama de "império dos prazeres" e acaba constituindo família (faz um filho numa mulher). Torna-se esposo, mas sente o ímpeto de completar sua jornada espiritual -- volta ao mosteiro. O maior interesse do filme é este: o homem tem que sair, precisa caçar e ser caçado -- longe de qualquer segurança. O homem aprende caindo. Está na cara. Mas, repito, hoje não é assim. O espírito vagabundo acaba afogado em joguinhos de grana e poder. E muita mediocridade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos verdadeiros espíritos vagabundos, um brinde. Sou um homem ironizado, como vocês. Também estou procurando o sentido nisso tudo -- e esperando o momento quando, no fim da vida, olharemos para trás, para ver que o que está feito é bom, íntegro, verdadeiro. Mas vale ajudar os carreiristas enquanto há tempo. Generosidade é moeda valiosa no mundo dos espíritos vagabundos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642283-108545846692610377?l=tamarindo-saci.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/feeds/108545846692610377/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642283&amp;postID=108545846692610377' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/108545846692610377'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/108545846692610377'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/2004/05/volta-do-boemio.html' title='A VOLTA DO BOEMIO'/><author><name>tamarindo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05219313432851550070</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642283.post-108525830211389216</id><published>2004-05-22T17:34:00.001-03:00</published><updated>2004-05-22T17:38:22.113-03:00</updated><title type='text'>BOLEIRO</title><content type='html'>&lt;em&gt;por Adalberto Silva&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É só um sonho. Sonho de menino boleiro, colecionador de álbum de figurinhas. Sonho que me persegue, entranhado na massa encefálica e cercado de outras utopias menos grandiosas: dinheiro, carros esportivos, mais dinheiro, viagens aos exterior, partidas de golfe, Mônaco, Viena, ações na Bolsa. É o brasileiríssimo sonho de ser jogador de futebol. No meu caso, de jogar no time de coração, o Fluminense. Fecho os olhos e deixo a fantasia me guiar. Quarta-feira chuvosa, final da Libertadores da América. O adversário, não importa qual. Na verdade, nem o torneio importa quando estamos sonhando. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou no banco de reservas, sentado à direita do professor Telê. Vejo os meu companheiros, vestidos com o uniforme número um (não da Adidas e sim da Le Cock), entrarem no gramado do Maracanã de mãos dadas com os mascotes, pequenos tricolores deslumbrados com as cores e os cantos da torcida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Neeeense!”, gritam os irmãos das arquibancadas e gerais. Quero jogar, mas aceito a condição de reserva. Não um reserva qualquer e sim membro de um time platônico, ideal, a minha seleção particular, questionável, mas definitiva. O goleiro é o Ricardo Pinto, que eu muitas vezes encarnei nas peladas da infância. Na lateral-direita Paulo César, que eu vi jogar, barra o absoluto Carlos Alberto. A dupla de zaga Ricardo Gomes e Alexandre Torres junta-se ao lateral Branco e completa a defesa.  No meio campo, Marcão atropela as anacronias e joga ao lado de Edinho, improvisado, de Romerito e Roger. No ataque, Magno Alves (sim, ele mesmo) forma dupla incendiária com Super-Ézio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O jogo é duro. O adversário tem a vantagem do empate e sabe usá-la. Defende-se bem e não economiza pancadas. Roger tenta furar o bloqueio. Dribla um, outro e é derrubado. Romerito faz o mesmo e também apanha. Ézio, isolado na área, nada pode fazer. PC usa a habilidade e ganha uma cotovelada, que o juiz não vê. Segundo tempo. Trinta minutos jogados. Um contra-ataque, atacante na cara de Ricardo Pinto, chute indefensável. Gol. Estádio mudo. A equipe da Paz, Esperança e do Vigor não se abala. Luta, sua, sangra e marca, com Super-Ézio de cabeça, após cruzamento perfeito de Paulo César.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faltam três minutos para o fim do jogo. Magno Alves sai machucado. Alguns torcedores voltam para casa. Telê olha pra mim e aponta para o campo. “A benção, João de Deus”.  A torcida tem fé. Quem sabe aquele jogador veterano e desacreditado salve o time. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reposição de bola. Ricardo toca para Torres, que passa para Ricardo Gomes. De peito estufado, ele avança e deixa com PC. Sem opção para furar o bloqueio defensivo, ele inverte de trivela para Branco. O lateral dribla um, protege com o corpo e recua para Marcão, que toca de primeira para Edinho. Ele deixa com Romerito, que arranca, escapa da falta e encontra Roger na entrada da grande área. Com um drible, Roger tira dois da jogada e corre para a linha de fundo. Cruza para Ézio, que chuta forte. A bola explode no travessão e cai junto a mim. Mato no peito, corto seco para a esquerda e chuto de canhota, de bico. É o gol do título.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A torcida grita, as bandeiras verdes, grenás e brancas tremulam alegremente e eu abro meus olhos, contente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642283-108525830211389216?l=tamarindo-saci.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/feeds/108525830211389216/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642283&amp;postID=108525830211389216' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/108525830211389216'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/108525830211389216'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/2004/05/boleiro.html' title='BOLEIRO'/><author><name>tamarindo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05219313432851550070</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642283.post-108475764513035151</id><published>2004-05-16T22:29:00.000-03:00</published><updated>2004-05-16T22:34:05.130-03:00</updated><title type='text'>O NOSSO HOMER</title><content type='html'>&lt;em&gt;por Adalberto Silva&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estive a gandaiar pelo &lt;a href="http://www.orkut.com"&gt;Orkut&lt;/a&gt;. Gastei boas horas passeando por redes de amigos e de amigos de amigos (A.D.A.? Melhor não brincar com isso!!!), clicando numa carinha ali, num rosto aqui, em um conhecido de vista acolá. Dá pra ir longe nessa brincadeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra coisa que me chamou a atenção foram as tais comunidades, sobre tudo quanto é assunto. Agorinha mesmo juntei-me aos mais de 800 admiradores do Seu Madruga, aquele personagem do Chaves que sempre apanha da dona Florinda. Não deixa de ser engraçado como personagens miseráveis são benquistos pela turma da web.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu Madruga é um cidadão de classe baixa residente na zona urbana do México. Sempre desempregado, deve 14 meses de aluguel mas consegue criar sozinho e honestamente a filha (com bicos e um pouco de licença poética). Tipo comum aqui no Brasil. Comum até demais. Outro ídolo da rapaziada é o Homer Simpson, figura que dispensa comentários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deve haver alguma correlação entre a admiração dos brasileiros por perdedores e a incapacidade crônica do país crescer, acabar com a miséria e mandar um homem ao espaço (nessa ordem!!!). Tenho certeza absoluta que há, mas não vou teorizar a respeito, pelo menos agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Triste é saber que os marqueteiros do presidente Lula ignoram a devoção popular por personagens “economicamente desfavorecidos”, inadimplentes, glutões, beberrões e pés-descalços das mais ordinárias linhagens. Do contrário, poderiam ter evitado a pendenga diplomática causada pela matéria do correspondente do NYT, que relata uma suposta relação pouco saudável do presidente com a bebida. Os caras poderiam aproveitar a matéria para mudar a imagem do cliente e evidenciar a sua faceta homerniana. Poderiam até contratar desenhistas dos Simpsons para a propaganda oficial. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo iria ficar mais engraçado. E as trapalhadas dos petistas no governo desceriam mais suave, feito desenho animado assistido em plena quarta-feira à tarde.            &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642283-108475764513035151?l=tamarindo-saci.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/feeds/108475764513035151/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642283&amp;postID=108475764513035151' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/108475764513035151'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/108475764513035151'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/2004/05/o-nosso-homer.html' title='O NOSSO HOMER'/><author><name>tamarindo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05219313432851550070</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642283.post-108424794501276419</id><published>2004-05-11T00:47:00.000-03:00</published><updated>2004-05-11T01:04:18.270-03:00</updated><title type='text'>Cléo</title><content type='html'>&lt;em&gt;por Adalberto Silva&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A brisa noturna acaricia a barriga nua de Cléo, que fuma ansiosa enquanto espera por alguém disposto a pagar R$ 30,00 em troca de sexo. Ela está plantada no calçadão da praia há mais de duas horas e homem nenhum se interessou em desfrutar aquele corpo pobre, enfeitado por adornos sintéticos, roupas brilhantes e cosméticos emprestados pela melhor amiga. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cléo é até bonita e bem cuidada para os padrões daquela zona de meretrício. Passou por uma maratona estética, horas antes de estrear como dama da noite: pintou as unhas, fez escova nos cabelos, raspou todos os pêlos das partes assanhadas, perfumou-se nessa mesma região e no resto do corpo, maquiou-se, espalhou purpurina no colo e na barriga e depois de tudo isso gastou uns minutos diante do espelho trincado, em dúvida entre duas microssaias compradas à prazo especialmente para o novo emprego: a preta imitando couro e a dourada com lantejoulas. Escolheu a dourada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só que ela não conseguiu fazer um programa sequer. Viu mulheres mais feias que ela, desleixadas e entupidas de crack, entrarem em sedãs caros. Sentiu raiva, pensou em se jogar no mar ou na frente de um carro. Queimou o último Derby de costas para a rua e viu o céu mudar de cor aos poucos. Rogou uma praga ao pai não declarado da sua filha e desistiu de tentar ganhar dinheiro na madrugada que definhava. Mas só naquela madrugada, porque amanhã ela voltará ao ponto, com a mesma bolsinha, o mesmo top, o salto de dez centímetros e a microssaia, desta vez preta.    &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642283-108424794501276419?l=tamarindo-saci.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/feeds/108424794501276419/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642283&amp;postID=108424794501276419' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/108424794501276419'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/108424794501276419'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/2004/05/clo.html' title='Cléo'/><author><name>tamarindo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05219313432851550070</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642283.post-108372792066044734</id><published>2004-05-05T00:28:00.000-03:00</published><updated>2004-05-05T00:36:25.106-03:00</updated><title type='text'>KILLER</title><content type='html'>&lt;em&gt;por Adalberto Silva&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esmagou formigas. As bichinhas, minúsculos pontos negros no piso branco, saboreavam desesperadas uma migalha de biscoito, ou de pão. Centenas delas reunidas em banquete noturno no seu próprio quarto. Ousadia. Olhou para o círculo por elas formado, pouco menor que uma moeda de dez centavos, e pisou forte, sem piedade. De pronto foi tomado pela consciência de estar no topo da cadeia evolutiva, de pertencer à espécie animal senhora da terra, dos mares, do universo inteiro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O assassínio fez com que ele se colocasse no mesmo altar onde descansam Áquila, Aníbal, Alexandre o Grande, Napoleão Bonaparte e outros guerreiros da História. Para o bem da humanidade, a vontade de potência logo esmaeceu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recordou-se de outro “inseticídio”. A vítima foi um grilo bonito, verde, com uns cinco centímetros de comprimento. O infeliz entrou na sala sem pedir licença, Bonner e Fátima em rede nacional, e acomodou-se tranqüilamente na parede. Um grilo não é uma barata, por isso agiu com diplomacia. Pegou o bicho pelas asas, após perseguição demorada, e jogou varanda abaixo. Teimoso, o grilo voltou e pousou no mesmo lugar. A mãe sugeriu que o matasse. “Matar ou tentar pegá-lo?”, perguntou, como soldado a consultar o comandante da missão. Recebeu a autorização para o ataque, pegou o jornal dobrado, acertou de leve o inseto, recolheu o cadáver e voltou ao seu lugar preferido no sofá. Cumpriu ordens e lavou as mãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    &lt;br /&gt;    &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642283-108372792066044734?l=tamarindo-saci.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/feeds/108372792066044734/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642283&amp;postID=108372792066044734' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/108372792066044734'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/108372792066044734'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/2004/05/killer.html' title='KILLER'/><author><name>tamarindo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05219313432851550070</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642283.post-108355123802957797</id><published>2004-05-02T23:20:00.000-03:00</published><updated>2004-05-03T00:19:14.153-03:00</updated><title type='text'>DIRIJA COM CUIDADO</title><content type='html'>&lt;em&gt;por João do Papel&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Custa dizer que não tenho carteira de motorista. Você não imagina, seu guarda, o que se passa comigo quando vejo o senhor pelo canto do olho; sobe um arrepio da ponta do pé, é gelado, duas mãos frias torcendo alguma coisa dentro da garganta, como se torce um pano de chão. Eu vi, digo, eu vejo a batida,  porque tinha uma velha e ela freiou forte no amarelo, não deu tempo, porrou mesmo, e como sei que quem bate atrás está errado... só penso um palavrão bem sujo e soletro ele com gosto, mentalmente, claro, porque tenho educação. É só fechar os olhos que eu vejo tudo isso, mas não é bom fechar, o senhor sabe, pode acontecer alguma coisa, mexer no CD Player então, que pecado, distrair-se com os botões, ainda mais eu, que sempre confundo o volume com aquele que muda de faixa. A vovó do carro da frente bateu o peito no volante e já saiu do carro, diz que lhe falta o ar, curvada e com a mão nas cadeiras; de repente a rua pára, todo mundo olhando para ela com cara de preocupado, depois para mim com cara de "seu moleque irresponsável, playboy filho de uma...". Seu guarda, espera que essa curva é perigosa... opa, opa... então, seu guarda, você não imagina o que é não ter habilitação para dirigir, e ter uma imaginação razoável, ao mesmo tempo. Quando um colega do senhor aparece de viatura e está queimando combustível como quem não quer nada, aquilo que se chama "ronda", eu sempre acho que ele está piscando farol para mim, pedindo que eu encoste. É assustador. Mas eu adoro. E nunca fui pego. Viu, seu guarda? Nunca colocaram a mão em mim, também porque dirijo bem. Se você me pára um dia, vou dizer que sou motorista prático, como os dentistas, não tem? Alguma lei, dentre esses inúmeros e absurdos textos que o legislativo brasileiro vota e aprova, há de me proteger. Mas se mesmo assim o senhor abrir o coldre e sacar o bloco de multa, ou passar a mão no rádio para chamar a viatura que efetuará a prisão, eu sempre levo comigo tutu o bastante para tomar uma cervejinha. Combinado?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642283-108355123802957797?l=tamarindo-saci.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/feeds/108355123802957797/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642283&amp;postID=108355123802957797' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/108355123802957797'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/108355123802957797'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/2004/05/dirija-com-cuidado.html' title='DIRIJA COM CUIDADO'/><author><name>tamarindo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05219313432851550070</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642283.post-108329668929255563</id><published>2004-04-30T00:37:00.000-03:00</published><updated>2004-04-30T00:49:06.873-03:00</updated><title type='text'>SERENATA INTERROMPIDA</title><content type='html'>&lt;em&gt;por Adalberto Silva&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anailton entra no ônibus rumo à batalha. Auxiliar de escritório, um salário e meio por mês, flamenguista não-praticante, alma e físico de pusilânime, nunca alimentou grandes sonhos ou paixões. Há algumas semanas, porém, uma moça magrinha e branquela esquentou a sua rotina. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos os dias, três pontos depois de Anailton, ela embarca, uniformizada, cheirosa e fitada pelo recém apaixonado trabalhador. Vez ou outra sentam-se lado a lado. Anailton a encara. Ela finge não perceber. Ele sofre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em casa, depois do expediente no escritório de contabilidade, não vê a hora de dormir, acordar, engolir pão e beber leite com chocolate, caminhar até o ponto cheio, esperar calado pelo ônibus, sentar-se na fila direita, aguardar ansiosamente e sentir a pulsação aumentar ao ver a musa passar a roleta. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois meses depois Anailton marca um gol. Ônibus atrasa e lota rapidamente. A moça, com pasta e bolsa nas mãos, posta-se de pé ao lado do rapaz, que com inédita confiança se oferece para carregar seus pertences. Ela aceita e agradece sorrindo. Mais tarde sorri e agradece novamente, pega pasta, bolsa e salta no centro da cidade, dois pontos antes de Anailton. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora os dois são colegas. Quando a lotação do coletivo permite, sentam-se juntos. Então conversam, ela para gastar o tempo durante a viagem trivial e ele com a nobre missão de conhecê-la e conquistá-la.  Anailton descobre que a moça é secretária, estuda à noite, vai à missa aos domingos, gosta de praia, hambúrguer, novela das oito, sorvete de acerola e bombom serenata, ama bombom serenata. Bombom serenata, sorvete de acerola, dedos finos e alvos sem anéis, olhos castanhos, lábios nus, 21 anos. Ele não consegue parar de pensar nisso.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De manhã cedo, faz o desjejum como sempre e coloca cinco bombons serenata, embrulhados em pacote enfeitado, na velha pasta nike comprada no camelô. Vestindo uma camisa gola pólo vermelha, a melhor do guarda-roupa modesto, segue seu destino, embriagado de amor. Encarna o toureiro certo da vitória na arena, o piloto do melhor monoposto que larga com lugar garantido no pódio. A musa entra. Cumprimentam-se mas não compartilham a poltrona. Sem problema: a intenção é abordá-la na saída do trabalho, enquanto a moça espera a condução para ir à faculdade.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adailton pediu ao chefe para sair 20 minutos mais cedo, mas as pilhas de documentos só lhe deram 10. Corre em meio à multidão para encontrá-la. Confia na previsibilidade do dia-a-dia. Chega ao ponto de ônibus,  crachá ainda no peito, e vê sua paixão dividindo sorvete com um rapaz alto e bem vestido. Ainda tem esperança de que sejam apenas amigos quando um beijo caloroso aniquila qualquer dúvida. Sem chão para pisar, sem sangue nas veias, atravessa a rua mecanicamente para fugir da cena que o fere.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O motorista da Kombi branca não consegue frear a tempo.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642283-108329668929255563?l=tamarindo-saci.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/feeds/108329668929255563/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642283&amp;postID=108329668929255563' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/108329668929255563'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/108329668929255563'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/2004/04/serenata-interrompida.html' title='SERENATA INTERROMPIDA'/><author><name>tamarindo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05219313432851550070</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642283.post-108327519833274322</id><published>2004-04-29T15:59:00.000-03:00</published><updated>2004-04-29T18:59:10.793-03:00</updated><title type='text'>O RASTRO DOS NAVIOS</title><content type='html'>&lt;em&gt;por João do Papel&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os grandes barcos quando passam por debaixo da ponte fazem uma linha torta. Essa linha fica ali durante algum tempo, como testemunha de alguma coisa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É uma visão que enternece, sobre a ponte, de pé no ônibus. Usando a janela suja como parapeito, levo a cabeça até um pouco além do responsável, reparo se o motorista não está no retrovisor, respiro o ar livre do alto. É um momento espiritual, estudar o rastro de hoje, compará-lo com o de ontem, adivinhar o tamanho e a velocidade do navio--porque um barco pequeno deixa um rastro tão grande quanto o do corpulento transatlântico, apenas porque tem maior velocidade. Coisas que aprendi olhando o mar sob a ponte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mancha que fica para trás vai sendo varrida pela maré, lenta e calmamente, como aqueles desenhos em campos de areia fina, japoneses e enlevados. Os pássaros deixam de pescar onde há o rastro. O sol incide sobre o rastro e os brilhos denunciam a substânciade de que é feito, porque o óleo dá um belo prisma, muitas cores, como a bela cauda de um pavão. O rastro dos navios é de sujeira, juntado ao redor do casco nos dias que ele fica parado no porto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rastro dos navios é aquela dor que deixamos, sem saber, por onde passamos.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642283-108327519833274322?l=tamarindo-saci.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/feeds/108327519833274322/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642283&amp;postID=108327519833274322' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/108327519833274322'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/108327519833274322'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/2004/04/o-rastro-dos-navios.html' title='O RASTRO DOS NAVIOS'/><author><name>tamarindo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05219313432851550070</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642283.post-108311359650192088</id><published>2004-04-27T21:39:00.000-03:00</published><updated>2004-04-27T22:01:51.653-03:00</updated><title type='text'>PROSA RUIM</title><content type='html'>&lt;em&gt;por João do Papel&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitas pessoas até acreditaram que o Adalberto Silva tinha trocado a senha do blog. Fazem parte de uma corja imunda. Durante uma semana ausentei-me das terras capixabas para fazer um frila, coisa boba, ir à Bahia, aturar os baianos, conversar com turistas avermelhados e trazer 10 mil caracteres publicáveis. Mas não abandonem as esperanças de se ver livre de mim. Tenho mesmo tido impulsos de entregar este espaço para um escritor mais talentoso. Em verdade, isso acontecia somente quando sentava para escrever; agora esse pensamento derrotista me persegue em cada lugar que vou. Não que eu seja um caso perdido. Mas a falta de assunto não faz com alguns escritores o que fez com Rubem Braga. Para falar a verdade, máxima verdade (e de saco cheio), sou um impostor, uma cabeça oca e um estilo fraco, caldo de galinha de granja, amor de pouco falar. Está aqui dentro, um pêndulo, grande e irritado, como um nervo desfibrilado, adejando na minha alma, trazendo sentimentos inuteis de volta para o picadeiro. Nada mais, são inúteis. Cada vez que tento explicar, ou melhor, cada vez que perco tempo fingindo ser quem não sou -- triste constatação -- acabo ficando mais longe do sonho de criança, ser escritor de méritos próprios. Mas que venha a boa nova, que eu renasça mais uma vez.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642283-108311359650192088?l=tamarindo-saci.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/feeds/108311359650192088/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642283&amp;postID=108311359650192088' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/108311359650192088'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/108311359650192088'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/2004/04/prosa-ruim.html' title='PROSA RUIM'/><author><name>tamarindo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05219313432851550070</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642283.post-108303286125155957</id><published>2004-04-26T23:27:00.000-03:00</published><updated>2004-04-26T23:31:54.716-03:00</updated><title type='text'>VONTADE DE GLABRO</title><content type='html'>&lt;em&gt;por Adalberto Silva&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adoro fazer a barba. Descobri isso de uns tempos pra cá. Verdade, leitor de face peluda. Sinto grande prazer neste ritual masculino, raro para mim, rapaz cheio de sangue botocudo nas veias e, por causa disso, imberbe. Não chego a ser totalmente imberbe, tenho uns pêlos no rosto, negros e finos, discretos contra a cútis parda mas explícitos o suficiente para me atrapalhar numa entrevista de emprego. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Arranco-os a cada quinze dias, ou mais, ou muito mais. Antes eu usava sabonete e o aparelho descartável mais barato do mercado. Há mais ou menos um ano aderi ao creme de barbear. Foi aí que tomei gosto pela coisa: o cheiro do cosmético avon misturado à sensação da lâmina fazendo tchum, tcham e tcham, tcham, tcham, tcham!!!, como no velho comercial da TV. Nessas horas sinto-me um legítimo galã (das antigas!), um Burt Lancaster tropical.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora uso até um barbeador mais caro, mas ainda chinfrim, com fita lubrificante verde-piscina e haste emborrachada. O creme, esse já está quase acabando. Não mudarei de marca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia, quando estiver rico, comprarei o conjunto que vi em uma revista, composto por um aparelho de aço e pincel com pêlo de texugo (ou outro desses bichinhos em risco de extinção). Custa uns 500 contos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então ficarei besta, e posarei de galã de filmes em preto e branco mesmo depois do último resquício de creme de barbear sumir pelo ralo da pia.   &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642283-108303286125155957?l=tamarindo-saci.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/feeds/108303286125155957/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642283&amp;postID=108303286125155957' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/108303286125155957'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/108303286125155957'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/2004/04/vontade-de-glabro.html' title='VONTADE DE GLABRO'/><author><name>tamarindo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05219313432851550070</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642283.post-108275275403770890</id><published>2004-04-23T17:38:00.000-03:00</published><updated>2004-04-23T17:43:22.890-03:00</updated><title type='text'>SETE MEIA DOUS</title><content type='html'>&lt;em&gt;por Adalberto Silva&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou sem inspiração para escrever agora. O pior é o compromisso, raramente cumprido, de abastecer este espaço com um texto diário. Invejo os grandes cronistas, artífices das palavras, capazes de construir linhas e mais linhas sobre temas aparentemente insípidos, como um passeio na chuva, o arroz empapado servido no restaurante de terceira, uma placa de aluga-se, o silêncio do vizinho no elevador ou um pequeno inseto atraído pelo abajur. Eu, psicologicamente raso e com prosa de zagueiro-central, careço de uma boa história ou de tema interessante. Na falta de um ou outro, contudo, recuso-me a ficar inerte diante do cursor piscante do word e redijo este escrito monoparagrafal de 762 caracteres e, grato à liberdade que aqui tenho, ainda crio neologismo.  &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642283-108275275403770890?l=tamarindo-saci.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/feeds/108275275403770890/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642283&amp;postID=108275275403770890' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/108275275403770890'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/108275275403770890'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/2004/04/sete-meia-dous.html' title='SETE MEIA DOUS'/><author><name>tamarindo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05219313432851550070</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642283.post-108260210702470309</id><published>2004-04-21T23:47:00.000-03:00</published><updated>2004-04-21T23:52:33.343-03:00</updated><title type='text'>LIÇÃO AO ONZE ANOS</title><content type='html'>&lt;em&gt;por Adalberto Silva&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gaetano e seu amigo sardento estão a postos no banquinho em frente ao prédio. Dentro de alguns minutos passará a atração principal das tardes da dupla, a morena de ancas largas, pernas musculosas, seios de atriz pornô americana e cabelos negros de índia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos os dias os dois assistem, com os olhos cravados, a garota passar em direção à academia de ginástica, linda e perfumada, com toalha e garrafa d’água nas mãos. Depois brincam de supertrunfo ou bafo, discutem as performances no nintendinho e voltam ao banco de concreto para ver a musa, cansada e satisfeita, voltar para casa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De segunda a sexta a história se repete. Jaciara, a corpulenta de 17 anos, nunca percebe a presença dos fedelhos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sardento tem um plano. Conta-o a Gaetano. Pretende se esconder no quarto da morena para vê-la nua. Entraria lá pendurado em algum cabo preso ao terraço do edifício. O parceiro acha a idéia genial e lembra de uma corda perdida na escada de incêndio. Ainda bem que garotos de onze anos são especialistas em traçar operações ousadas mas desistem facilmente de executá-las. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo correu normalmente nos dias seguintes. A morena ia e vinha metida em trajes colantes e os dois garotos a espiá-la. Nos intervalos do desfile, pequenos vandalismos, partidas de videogame, escola, bafo, brigas, polícia e ladrão, futebol na rua, pedradas em gatos, desenho animado, heróis japoneses e outras coisas comuns ao cotidiano de meninos de onze anos. Só que algo, vindo não se sabe de onde, perturbou a alegre rotina de Gaetano como catapora contraída em férias escolares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O moleque, coitado, passou a ter palpitações e pensamentos incessantes pela malhadora da tarde. Apaixonou-se por ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu amigo sardento e mais arteiro ri e diz que ele não tem a mínima chance, que a garota é grande e não vai dar bola a moleques pré-púberes (ele não usou este termo!!!) como eles. Gaetano discorda, afinal, vai à escola sozinho e de ônibus, lava os pratos depois do almoço e até faz serviço de banco.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele viu em uma revista, certa vez, algo sobre o fascínio das mulheres por flores. Descobriu, inclusive, que os homens de hoje em dia perderam o hábito de mandar flores. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Economizou durante uma semana renunciando ao lanche no recreio. Também faturou uns trocados pagando meia passagem e saltando pela porta de trás quando o cobrador deixava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na segunda-feira comprou um buquê de flores vermelhas. Às 17h20 estava no posto de observação, com o fiel capanga. Ela vem, passa e nem olha. Os dois vão embora, cada um para sua casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gaetano toma banho e veste roupa de sair. O tênis que a mãe ainda está pagando, uma bermuda abaixo dos joelhos e camisa de estampa colorida. Não se esquece do boné e de passar perfume.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma hora depois ele retorna, desta vez sozinho e com flores nas mãos. Lá vem ela, rápida como sempre. Gaetano ajeita o boné e interrompe a marcha da morena. Entrega o buquê e a pede em namoro, cheio de confiança. Ela desenha um sorriso debochado nos lábios, pega as flores e as enfia entre a cabeça e o boné de Gaetano. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sai gargalhando, os traseiros de rainha da bateria balançando ao olhos do moleque, aturdido como boxeador nocauteado. Nariz no chão do ringue, ele ouve o juiz iniciar a contagem. Vai se levantar zonzo, supercílio cortado, com uns dentes a menos e mais forte, bem mais forte.          &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642283-108260210702470309?l=tamarindo-saci.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/feeds/108260210702470309/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642283&amp;postID=108260210702470309' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/108260210702470309'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/108260210702470309'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/2004/04/lio-ao-onze-anos.html' title='LIÇÃO AO ONZE ANOS'/><author><name>tamarindo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05219313432851550070</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642283.post-108242770204169252</id><published>2004-04-19T23:21:00.000-03:00</published><updated>2004-04-19T23:25:45.966-03:00</updated><title type='text'>O CABELO DA FÁTIMA</title><content type='html'>&lt;em&gt;por Adalberto Silva&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Morreu ontem o desempregado que ateou fogo ao próprio corpo em Brasília. José Antônio Andrade Souza queria falar com o presidente Lula. Para isso, vendeu o barraco onde morava por R$ 800,00 e embarcou na derradeira aventura. Agora, vai virar garoto propaganda da oposição ao governo e sua família não receberá nada por isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Jornal Nacional de hoje não falou sobre o assunto. A tragédia do rapaz queimado já faz parte do passado. Durante uma notícia banal sobre a crise permanente da Palestina, um detalhe no cabelo da Fátima Bernardes chamou a minha atenção. Havia uma pequena mexa desalinhada, espetada para cima. Eram poucos fios, para ser mais exato. Quase ninguém deve ter reparado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquela falha no penteado perfeito da jornalista, durante a exibição do jornal mais tecnologicamente requintado da TV brasileira, me pareceu absurda, no sentido sartreano do termo. Não entendo de existencialismo, mas o que digo deve fazer sentido, se não fizer, bem, então será absurdo.  Voltando ao cabelo da Fátima, fiquei a refletir na instabilidade causada pelos fios rebeldes ao andamento do noticiário. Meia dúzia de fios tentando escapar daquela cabeça careta, fugir da imagem crível e por isso destituída de sensualidade da apresentadora. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amanhã o cabelo dela estará bem alinhado. O cabeleireiro não vai vacilar. Tudo voltará à normalidade no Jornal Nacional, sempre certinho, asséptico, pronto para mostrar a seus milhões de telespectadores tragédias estreladas por desempregados.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642283-108242770204169252?l=tamarindo-saci.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/feeds/108242770204169252/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642283&amp;postID=108242770204169252' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/108242770204169252'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/108242770204169252'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/2004/04/o-cabelo-da-ftima.html' title='O CABELO DA FÁTIMA'/><author><name>tamarindo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05219313432851550070</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642283.post-108231675995437385</id><published>2004-04-18T16:22:00.000-03:00</published><updated>2004-04-18T16:36:41.950-03:00</updated><title type='text'>DOMINGO DE SOL</title><content type='html'>&lt;em&gt;por Adalberto Silva&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque hoje é domingo de sol os homens alisam seus carros, adolescentes de shortinhos curtos desfilam suadas e salgadas pelas ruas, atletas de fim-de-semana exibem as gorduras no calçadão da praia, falantes emitem músicas populares em volume alto e a atmosfera fica impregnada com o cheiro de churrasco. Porque hoje é domingo de sol as crianças ficam mais levadas, solteironas cuidam da beleza, genros visitam sogras e amantes ficam solitárias. Porque hoje é domingo de sol eu acordo às 11h, almoço às 14h30, assisto futebol e mais tarde vejo Fantástico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só porque hoje é domingo.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642283-108231675995437385?l=tamarindo-saci.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/feeds/108231675995437385/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642283&amp;postID=108231675995437385' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/108231675995437385'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/108231675995437385'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/2004/04/domingo-de-sol.html' title='DOMINGO DE SOL'/><author><name>tamarindo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05219313432851550070</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642283.post-108217322852885152</id><published>2004-04-17T00:30:00.000-03:00</published><updated>2004-04-17T00:48:37.653-03:00</updated><title type='text'>DESPERDÍCIO</title><content type='html'>&lt;em&gt;por João do Papel&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desculpem porque estive sem inspiração. Nunca o Adalberto postou tantas vezes sem que eu sentasse à máquina para escrever uma linha. Mas disse para mim mesmo que de hoje não passa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que fiz então? Peguei um texto meu de cinco anos atrás, um moleque pretensioso mas cheio de boas intenções -- e referências. Se gastasse mais tempo repensando os caminhos que me trouxeram até este texto (reproduzido aqui abaixo), talvez escrevesse uma coisa realmente boa. Só que o cansaço me impede. Levem-no como saiu, quando contava 17 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O leitor gosta de rever fotos antigas de outras pessoas? Pois faz muito bem. É encantador olhar e rir da decadência de figuras que ignoramos sentimentalmente, e imaginar que aquelas vidas... esperem. Fique sabendo que não estou aqui para instrui-lo com estas impressões, nem acho que seria honesto de minha parte fazê-lo; estou dizendo que gosto de ver fotos antigas. Não se importe com meus métodos. Apenas respeite os retratados e previna-se contra comentários negativos, porque as... espere. Estou a falar de fotos de família, não me entenda por mal; fotos ruins tiradas por fotógrafos pretensiosos, burros. Voltando aos comentários: não os faça. Comente apenas amenidades pelos que já se foram, e ataque a idiotice dos retratos silenciosamente; mas lembre-se de apreciar o ridículo gostoso da vida -- por "ridículo gostoso da vida" entenda o fato de saber-se idiota amanhã, embora você se sinta bacana hoje. Os anos 80 estão aí para provar isso. Quem não gostaria de queimar todas as fotos das festas famíliares entre 1979 e 1988? &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642283-108217322852885152?l=tamarindo-saci.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/feeds/108217322852885152/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642283&amp;postID=108217322852885152' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/108217322852885152'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/108217322852885152'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/2004/04/desperdcio.html' title='DESPERDÍCIO'/><author><name>tamarindo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05219313432851550070</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642283.post-108216727276161769</id><published>2004-04-16T22:59:00.000-03:00</published><updated>2004-04-16T23:05:12.810-03:00</updated><title type='text'>TORNOZELO TORCIDO</title><content type='html'>&lt;em&gt;por Adalberto Silva&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se há um fundamento do futebol que me fascina é o chute de três dedos, conhecido também por trivela. Para os leigos no sublime esporte (respeito-os, mas não muito), trata-se do chute disparado com os três primeiros dedos do pé, contando a partir do mindinho. O movimento da perna faz com que a bola gire em torno do próprio eixo e descreva uma curva ao longo da trajetória. Leigos, vejam o gol do Branco na semifinal da Copa de 94, contra a seleção holandesa, e saberão o que é uma autêntica trivela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amante incorrigível do futebol, eu caio de joelhos por uma jogada bonita, seja um drible do elástico (como os do Rivellino), um lençol, um cabeceio certeiro contra o gol e até um desarme preciso, sem falta. Às vezes, terminada a partida do time do qual sou fã, saio satisfeito pelo lance esplêndido e nem me lembro do placar desfavorável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas nada como uma trivela bem dada. Não falo do petardo devastador e sim do passe colocado, da bola lançada de 30 metros de distância a cair como pluma no peito do atacante. É uma verdadeira obra de arte, e como tal, só pode ser executada pelos melhores do ofício. Trivela não é para perna de pau.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ignorei este corolário e fui me engraçar a chutar de três dedos. Eu estava na beira de um campo, atrás do gol, observando a pelada que corria. De repente a bola veio linha de fundo afora, forte e rasteira em minha direção. Pensei em bater de chapa, mas fui esnobe e meti uma trivela de primeira. Só que o chute saiu mascado, meio de peito de pé, e acabei machucado. Na hora, pulei de dor e xinguei o mundo, amaldiçoei a política econômica do Palocci, a jornalista rameira que não me quis, os mercenários do meu Fluminense. Daquele dia em diante me tornei dependente de Gelol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aprendi a lição e agora só faço o que realmente sei, embora ande a transgredir as normas gramaticais aqui no Tamarindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642283-108216727276161769?l=tamarindo-saci.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/feeds/108216727276161769/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642283&amp;postID=108216727276161769' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/108216727276161769'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/108216727276161769'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/2004/04/tornozelo-torcido.html' title='TORNOZELO TORCIDO'/><author><name>tamarindo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05219313432851550070</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642283.post-108199775597299997</id><published>2004-04-14T23:55:00.000-03:00</published><updated>2004-04-15T01:50:56.873-03:00</updated><title type='text'>E-MAIL BANAL</title><content type='html'>&lt;em&gt;por Adalberto Silva&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fala João,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muito oportuno o e-mail que você me enviou, com o prólogo à edição brasileira do novo livro de Michael Moore. Li a mensagem todinha, a despeito da prosa ruim. Você bem sabe, o autor só se identifica lá pela segunda metade do texto. No início pensei que fosse mais um daqueles e-mails conspiratórios e esquerdistas que às vezes caem na minha caixa postal. Rapaz, eu iria ficar puto com você!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Michael Moore invejou Bush e disparou contra o próprio pé. Algumas fontes lúcidas afirmaram, com as devidas provas, que a invasão do Iraque favoreceu os democratas dos EUA. Como se sabe, a guerra gera recessão e aumenta o déficit público. Cada bomba que explode no deserto equivale, literalmente, a milhões de dólares incinerados. É dinheiro queimado, meu amigo. Os lucros com a exploração do petróleo iraquiano virão, mas ninguém sabe ao certo quando. Mais seguro seria investir nos poços pacíficos do Casaquistão e outros tãos da Ásia. George W. Bush não vai ser reeleito, ainda mais agora, com o clima de guerra civil a pairar no Iraque. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ruína do Michael Moore está no seu próprio livro. Coitado, ele nem percebeu. Pena que pouca gente vai perceber. Há tempos eu não via tanta besteira escrita junta, tantas inverdades e simplificações grosseiras. Dizer que a família real portuguesa veio pra cá atraída pelas nossas belezas mostra que ele é um americano típico, ignorante da história do resto do mundo. O queridinho da américa liberal e progressista ignora que os portugueses só aportaram no Rio de Janeiro porque estavam com as bundas espetadas pelas baionetas das tropas de Napoleão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João, ele diz que nosso país é lindo e maravilhoso. Poderíamos convidá-lo a morar em algum bairro da periferia da nossa cidade, encarar o Transcol lotado, o calor tropical sem ar condicionado, os pedintes nas ruas, o povo nada cordial, as enchentes e desabamentos, a tensão de viver num dos Estados mais violentos do país. Ele recusaria o nosso convite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Michael Moore habita provavelmente uma casa confortável. Deve ter um belo carrão. E nunca foi vítima de seqüestro relâmpago (essa modalidade de crime é exclusividade nossa, vamos patenteá-la!!!!), nunca foi acordado por balas traçantes cortando os céus ou humilhado por policiais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cara, quando vejo o discurso dele me dá vontade de partir para os EUA e virar um stupid black man. Limpar privada e receber mais que um jornalista aqui no Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O diretor de “Tiros em Columbine” conclui o texto pedindo que nós, brasileiros, continuemos com o carnaval pelado. Espertalhão ele. Lucra uma grana cuspindo no prato em que come para depois gastar os dólares com turismo sexual nos trópicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João, valeu pelo e-mail, valeu mesmo. Um abraço. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642283-108199775597299997?l=tamarindo-saci.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/feeds/108199775597299997/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642283&amp;postID=108199775597299997' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/108199775597299997'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/108199775597299997'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/2004/04/e-mail-banal.html' title='E-MAIL BANAL'/><author><name>tamarindo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05219313432851550070</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642283.post-108181853428490609</id><published>2004-04-12T22:08:00.000-03:00</published><updated>2004-04-12T22:12:48.670-03:00</updated><title type='text'>VERGONHA</title><content type='html'>&lt;em&gt;por Adalberto Silva&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O piloto de jato perambula pela livraria do aeroporto. Quer um exemplar do Pequeno Príncipe mas está meio acanhado, com vergonha de pedir o livro desonrado pelas malditas misses. Como se a vendedora solícita fosse capaz de adivinhar que aquele livro é mesmo para o trintão de bigodes, e não presente para um dos seus dois filhos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele se lembra da facilidade ao comprar o DVD do filme que o fez querer voar, a história de um piloto perdido no deserto e um menininho que dizia ser príncipe. Filme com Gene Wilder no papel da raposa e deslumbrantes cenas de desenho animado misturadas a atores reais. Comprou pela internet, sem ter que encarar vendedores ou dar explicações inexatas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chega a ser engraçado como este homem feito, acostumado a comandar um avião gigantesco com algumas dezenas de vidas em suas mãos, treme ao tentar comprar o livro de cabeceira. Mas ele precisa compra-lo agora. Não pode fazer isso mais tarde, impessoalmente, pela web. Quer o livro neste instante, a edição clássica, de capa branca, com as famosas aquarelas de Exupéry. Está angustiado por ainda não ter esse livro em casa. Sente-se um traidor, um ingrato para com seu herói, o piloto escritor desaparecido em pleno vôo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Respira fundo, toma coragem e compra o livro. Antes de pagar, porém, pede à vendedora que embrulhe para presente.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642283-108181853428490609?l=tamarindo-saci.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/feeds/108181853428490609/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642283&amp;postID=108181853428490609' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/108181853428490609'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/108181853428490609'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/2004/04/vergonha.html' title='VERGONHA'/><author><name>tamarindo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05219313432851550070</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642283.post-108179822531497421</id><published>2004-04-12T16:29:00.000-03:00</published><updated>2004-04-12T16:34:19.076-03:00</updated><title type='text'>GIORNI </title><content type='html'>&lt;em&gt;por João do Papel&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que lindo esse céu. Nos floreios de cada nuvenzinha, beijada de amarelo gema de ovo caipira. Se você estivesse aqui, eu ia cantar alguma coisa, mas fiquei mudo. Essa mangueira aqui na frente, ela era muito florida, agora não, caíram as flores, e, ah!, eu não entendo de mangueira. Nem de jamelão, sendo que tinha um pezão lindo na frente da minha primeira casa. Eu tinha medo dele, tão grande, a copa batia no terceiro andar; mas sempre amei jamelão, e nunca soube quando era a época. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essas cores são lindas, estão ficando mais lindas, mas vão morrer de repente. O dia vai embora, puff, foi. Peraí que ainda tem luz bonita na árvore. A mangueira não tem fruta, mas está aqui, firme. Eu gosto de confiar na mangueira. Ela espera, espera. Sabe, às vezes a gente tem que confiar. Acreditar, ser crente. E olha que funciona. Eu já estive mais cansado, mas o que multiplica o cansaço é o medo, e eu estou com menos medo que antes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pronto, acabou, agora sim. Acabou o dia, instalou-se o breu; o vapor de sódio (ou mercúrio, acho) acendeu, o frio agora perdeu seu maior opositor, o sol foi fazer dia para lá do horizonte. &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642283-108179822531497421?l=tamarindo-saci.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/feeds/108179822531497421/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642283&amp;postID=108179822531497421' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/108179822531497421'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/108179822531497421'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/2004/04/giorni.html' title='GIORNI '/><author><name>tamarindo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05219313432851550070</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642283.post-108166973545026048</id><published>2004-04-11T04:21:00.000-03:00</published><updated>2004-04-11T05:09:52.246-03:00</updated><title type='text'>QUADRADO AO QUADRADO</title><content type='html'>&lt;em&gt;por João do Papel&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele era tão certinho que procurou não viver a própria vida, com medo de incomodar os vizinhos. Era de uma normalidade sobrenatural, assustadora, infalível. Tinha aproximadamente quatrocentas palavras no vocabulário, todas de raízes comuns, geométricas. Quadrado, bola, sorvete, cachorro, cobrar, pagar. Foi o mais conformado dentre os covardes, e não teve ninguém que chorasse no dia de seu enterro, apesar do sol e do vento agradável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde muito molecote trouxe na cabeça a vontade de agradar a todas as pessoas e o medo de acentuar palavras com mais de três sílabas. Tinha pavor do ônibus que tomava para casa, porque o último motorista dirigia sem a carteira do tipo necessário para veículos pesados. Não podia crer no desprendimento daquele homem. Se isso era possível, o que não seria? Sinceramente, era incapaz de perceber as nuances entre ter e não ter uma carteira do tipo certo. Não acreditava que uma pessoa sem carteira pudesse dirigir; tivesse a capacidade. Simplesmente achava que o motor não ligaria, que o carro não funcionaria. &lt;em&gt;Se&lt;/em&gt; acontecesse, repare no grifo, &lt;em&gt;se&lt;/em&gt; acontecesse de alguém sem carteira sentar na cadeira do motorista com pensamento de rodar com o carro, a mão divina da Providência interromperia o ato. Ele ainda hoje duvida que o homem não tinha habilitação para o ônibus. Preferiu acreditar que aquele não era um veículo pesado, mas um carro do tipo conciliável com a carteira do ex-motorista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, era tão absolutamente preto-no-branco que transcendia o bom senso. Por exemplo, toda vez que chegava perto de um CD player tocando no modo "random" ou "shuffle", a ordem das músicas trocava da aleatória para a normal. Uma coisa impossível, todo mundo sabe. Ao invés de misturar, embaralhar, pegar faixas aleatórias, o sistema computadorizado do CD player tocava as faixas na ordem original, estabelecida, impressa na fibra. Esse truque assustava as pessoas. Assustou a mim diversas vezes. Outras coisas aconteceram, mas não cabe aqui recontar. Tranqulizem, vou remeter a pauta ao Fantástico. Fiquem ligados que um dia ele aparecerá, um homem do Rá que não é falcatrua. É tão certinho que parece personagem de piada; aquele carcereiro que tinha certeza absoluta na volta do prisioneiro, que foi à padaria comprar cigarro, porque emprestou a ele uma nota grande e tem troco. É por aí. &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642283-108166973545026048?l=tamarindo-saci.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/feeds/108166973545026048/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642283&amp;postID=108166973545026048' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/108166973545026048'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/108166973545026048'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/2004/04/quadrado-ao-quadrado.html' title='QUADRADO AO QUADRADO'/><author><name>tamarindo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05219313432851550070</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642283.post-108164622604616340</id><published>2004-04-10T22:14:00.000-03:00</published><updated>2004-04-10T22:20:57.653-03:00</updated><title type='text'>MOCASSIM MANCHADO DE VERMELHO</title><content type='html'>&lt;em&gt;por Adalberto Silva&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele está perturbado. Passou a manhã inteira sentado em frente ao computador. Finge trabalhar. Seus óculos de armação dourada refletem uma planilha de excell. A tensão é tanta que ele nem consegue se distrair na internet, como os indolentes do escritório.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Hoje eu acabo com a vagabunda”, pensa, enquanto batuca o mouse pad, olhos fixos no monitor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hora do almoço. Ele ainda conserva a aparência perfeita do começo do expediente. Nem o mais perspicaz dos detetives de cinema veria o amargor escondido naquele homem de camisa verde-clara, calça grafite, aristocrática pasta de couro e sapato mocassim meio gasto, a destoar da elegância corporativa do conjunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sai do escritório discretamente, como de costume. Mas hoje ele não vai comer o frango grelhado com arroz branco no restaurante de sempre, sozinho, como faz diariamente há três anos. Não vai tomar uma coca-cola, pagar a conta sem olhar para a atendente e depois ir ao banco, ou ao barbeiro, ou à livraria do shopping folhear manuais de administração. Quebrará a rotina, sacrificará a segurança de um horário de almoço previsível por um acerto de contas conjugal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No carro, lembra do começo do namoro, nos tempos da faculdade. Amor retilíneo, sossegado, estável como os índices da caderneta de poupança, nascido entre calculadoras hp, rodízios de pizza e sessões de cinemão americano. Consolidado pela entrada do casal no programa de trainee, ele na financeira e ela na siderúrgica, pela troca da pizza por carpaccio, da bic pela mont-blanc. Lembra dos planos a dois: a viagem a Cancun, o MBA, o escritório de consultoria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Cadela!”, deixa escapar, enquanto acelera, com a prudência típica dos analistas de crédito, o motor 1.0 do automóvel francês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele sabe que ela sempre almoça em casa. Não gosta da comida servida na empresa. Acha indigesta. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dirige cautelosamente, sem arestas, buzinas, distrações. Parece um autômato. Ou um personagem de propaganda de banco. Na pasta, acomodada no bando do passageiro, as provas do adultério e o revólver calibre 38 registrado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um amigo alertou, há quase um ano. Ele não acreditou, rompeu com o amigo. Indignado, o amigo tratou de provar a verdade. Nem foi difícil. Bastou freqüentar a boate com câmera digital. Enquadrava fulana, fulano, um casal qualquer e pegava, ao fundo, ela e o outro. Mandou as provas por e-mail e pôde dormir em paz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O carro pára em frente ao prédio. Conhecido do porteiro, ele entra sem avisar. Pega o elevador e aperta o três. Sobe e dá de cara com os dois, sorridentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Cheguei na hora, cadela”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A arma na mão. O cano preto e robusto de seis polegadas contrasta com os braços finos e transparentes do algoz. Ele puxa o gatilho uma vez, ela é atingida no pescoço e cai na poça vermelha. Aponta para o outro, que assustado não se move.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“É bem mais jovem e bonito que nas fotos. Um molecote”, reflete, antes de esvaziar o tambor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele caminha devagar, na mão esquerda a pasta importada, na direita o revólver ainda fumegante. Orgulhoso dos seis primeiros disparos de sua vida, não percebe que pisou no sangue da ex-amada. Os mocassins manchados de vermelho deixam pegadas no chão de granito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os vizinhos abrem as portas em pânico. Ela definha, sente sede e frio. O primo já morto. O rapaz, coitado, foi deixar um currículo com a prima e ganhou cinco balaços. E o matador nem headhunter era. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;   &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642283-108164622604616340?l=tamarindo-saci.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/feeds/108164622604616340/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642283&amp;postID=108164622604616340' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/108164622604616340'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/108164622604616340'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/2004/04/mocassim-manchado-de-vermelho.html' title='MOCASSIM MANCHADO DE VERMELHO'/><author><name>tamarindo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05219313432851550070</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642283.post-108157681781495049</id><published>2004-04-09T02:59:00.000-03:00</published><updated>2004-04-10T03:17:20.090-03:00</updated><title type='text'>LENTAMENTE. . . </title><content type='html'>&lt;em&gt;por João do Papel&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A noite não dormi, então o dia ficou insuportável como uma quaresma modorrenta, a tarde longa e etérea, daquelas que terminam e começam a cada pensamento e duram três vezes mais que no relógio. A impressão perfeita era que ela nunca passaria, a tarde, então procurei o sono. Sonhei com quartos vazios e folhas em branco. Acordei encharcado naquele torpor que sai da cabeça e espanta o coração. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Consegui lucidez apenas enquanto ouvia as notas agudas do videogame portátil da geração passada, estridentes como um pio de coruja. A imagem da coruja perseguiu meus pensamentos e não relaxei mais, as cortinas dos olhos emperradas e perigosamente pendentes, qualquer acidente poderia fazê-las fechar para sempre, e então aprendi que nunca mais relaxaria se entendesse aquilo que estava no ar, uma quase imagem, uma frase, o som do vento passando debaixo de uma ponte, a cor da garapa na feira de sábado, o musgo forte e coeso do muro da minha escola de criança, as primeiras notas daquela fita velha do John Lennon, o olhar do meu avô desconhecido no retrato velho, as páginas desniveladas da broxura ensebada; algo grande e vistoso como as portas do paraíso, transcedental como o milagre de um poste de luz num vilarejo rural; algo muito perigoso, um pensamento denso e rústico. Talvez, se entendi alguma coisa, a certeza de que estou no caminho certo. E muito cansado.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642283-108157681781495049?l=tamarindo-saci.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/feeds/108157681781495049/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642283&amp;postID=108157681781495049' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/108157681781495049'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/108157681781495049'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/2004/04/lentamente.html' title='LENTAMENTE. . . '/><author><name>tamarindo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05219313432851550070</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642283.post-108138965996749926</id><published>2004-04-07T22:59:00.000-03:00</published><updated>2004-04-07T23:04:47.670-03:00</updated><title type='text'>A MENINA DO ELEVADOR</title><content type='html'>&lt;em&gt;por Adalberto Silva&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conheci a menina dos cabelos curtos em uma reunião de trabalho. Ela era a estagiária, eu, o jornalista free-lancer. O contato inicial foi pequeno, mas suficiente para que eu percebesse algo errado: aquelas roupas marrons e os sapatos caretas não combinavam com o penteado dela. Era o tipo de cabelo que – não sei bem há quanto tempo – me encanta. Cabelo cortado rente, uma preferência, admito, pouco comum. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Descemos juntos o elevador barulhento. Ela me disse, olhos no chão, que era seu primeiro dia no estágio. Estava cheia de expectativas profissionais. Preferi não tecer comentários sobre as nebulosidades do mercado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Semanas depois nos encontramos novamente, na mesma situação. A menina tímida, de vestimentas quadradas, olhar acanhado e palavras cuidadosamente medidas, partiu para dar lugar a uma estagiária saidinha, que me chamou pelo diminutivo do meu nome. Aqueles cabelos diziam tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não me surpreendi. Sabia que ela, assim que se adaptasse ao novo emprego, iria trocar os modelitos pardos por roupas alegres, o sapato de bancária por um confortável tênis. Passaria a falar num tom de voz mais alto e com as gírias de sempre. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda não sei por que, talvez nunca venha a saber, mas a verdade é que senti saudade da menina do elevador, tão frágil e esperançosa, por quem me apaixonei durante uns cinco minutos. Agora ela está cheia de autoconfiança, quem sabe já tenha até algumas decepções profissionais. Sinceramente, perdeu a graça. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642283-108138965996749926?l=tamarindo-saci.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/feeds/108138965996749926/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642283&amp;postID=108138965996749926' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/108138965996749926'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/108138965996749926'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/2004/04/menina-do-elevador.html' title='A MENINA DO ELEVADOR'/><author><name>tamarindo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05219313432851550070</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642283.post-108130824481516102</id><published>2004-04-07T00:20:00.000-03:00</published><updated>2004-04-07T00:28:15.216-03:00</updated><title type='text'>OS AMIGOS</title><content type='html'>&lt;em&gt;por João do Papel&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marcaram de se encontrar no mesmo lugar das últimas noites, um clube de sinuca meio ralé. A palavra clube tem um bom hálito. Então é exagero falar em clube de sinuca, uma vez que o bar é quente e fedorento. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abrão prometeu levar alguns discos da coleção da avó, velharias de capa desfiada. Mas o neguinho desfez o sorriso quando percebeu que os Sinatras não tocariam no moderno aparelho de som do lugar. Aquietou-se e passou a noite abraçado aos vinis, com receio de perdê-los. Sentia culpa porque um era autografado -- na década de 40 a velha fizera uma viagem aos Estados Unidos; tentaria a vida na América mas a guerra a fez voltar. Até hoje se desconsola com a idéia de que um dia viu o homem cantar, majestoso segurando o fio do microfone na mão esquerda, o chapéu de aba mole escorregando pela careca galopante aos vinte e poucos anos. A dedicatória do disco era bonitinha, "melhores desejos" como fazia quando conhecia pouco a fã. Mas assinou o nome de outra pessoa: Francis A. Sinatra. Quem é essa mulher, essa tal de Francis, sorria e perguntava a velha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro dia os amigos brigaram com um representante de distribuidora de cerveja por uma conta de duas fichas. Era uma espelunca maravilhosa, um lugar onde os bons corações prosperam, porque brigaram em desvantagem -- três contra um -- e saíram inteiros, um milagre da diplomacia. Voltaram para casa andando, mas diminuidos de todas as economias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há, porém, questões mais urgentes. A noite que Abrão grudou nos discos do Sinata, um cachorro passou mordendo as sarnas, enquanto um gato pelado usava de graça nos movimentos para desviar de cusparadas. As paredes descascadas serviam de campo de batalha para lagartixas, mosquitos e pequenas baratas; um teatro de operações que definia espíritos. Na parte de trás, os negros mal-encarados torciam pelas lagartixas, grandes e cautelosas. Estavam loucos para arrumar confusão e degustar à pancadas o santinho que ousasse invadir seu espaço, como elas. Circulando, os bêbados tristes e sem turma; mendigavam dedos de prosa, guimbas de cigarro e doses de cana -- os mosquitos. Ao redor da mesa estavam os jogadores de sinuca. Os amigos e os aproveitadores. Esses eu não sei quem era. Mas era assim o bar. Um equilíbrio inusitado, a síntese do lugar. Fórmula testada através de anos, heróicos anos de humilhações e atos heróicos, "sangue, suor e cerveja" na voz do sambista.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642283-108130824481516102?l=tamarindo-saci.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/feeds/108130824481516102/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642283&amp;postID=108130824481516102' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/108130824481516102'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/108130824481516102'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/2004/04/os-amigos.html' title='OS AMIGOS'/><author><name>tamarindo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05219313432851550070</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642283.post-108128986219540545</id><published>2004-04-06T19:17:00.000-03:00</published><updated>2004-04-07T00:42:57.640-03:00</updated><title type='text'>PARÁGRAFO</title><content type='html'>&lt;em&gt;por João do Papel&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada vai te destruir. Apesar da loucura, nada vai te destruir. Porque és santa, e todo mundo sabe. Abençoada foste tu entre as mulheres, Ele disse. A oração veio daí. Um dia Deus olhou para baixo, para a mulher sofrendo, e rezou de pé, vigiando-a pelas falhas na nuvem. Sim, porque Deus reza para Si mesmo. Ele é humilde, não acredita nos próprios mandos, apesar de ser onipresente, potente etc. E tem o dom divino de insuflar o próprio destino, quando fica um pouco desinteressante.  Eu, como muitos, queria ser Deus.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642283-108128986219540545?l=tamarindo-saci.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/feeds/108128986219540545/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642283&amp;postID=108128986219540545' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/108128986219540545'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/108128986219540545'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/2004/04/pargrafo.html' title='PARÁGRAFO'/><author><name>tamarindo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05219313432851550070</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642283.post-108120466575243841</id><published>2004-04-05T19:37:00.000-03:00</published><updated>2004-04-07T00:20:42.153-03:00</updated><title type='text'>SOMPLACE ELSE</title><content type='html'>&lt;em&gt;por João do Papel&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Novamente ele, novamente eu. George Harrison é confundido como um beatle &lt;em&gt;quieto&lt;/em&gt;. A grande imprensa convencionou chamá-lo disso, porque, durante a década de 1960, era realmente caladão. Mas pululava de vida interior, aproveitando a fama para conseguir as respostas que seu coração de menino queria. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De acordo com Derek Taylor, amigão e jornalista "oficial", George falava pelos cotovelos. Ok, mas isso não vem ao caso. O importante é que ele falava pelos dedos. Quando metia um slide no anelar, tirava os mais elegantes sons e, por que não, os mais elegantes arrepios. Essa música que tentei conciliar tradução está em CLOUD NINE, o álbum da volta do velho George, lançado em 1987 e capital para a redescoberta de sua potência e auto-estima, estilhaçada pelas resenhas de GONE TROPPO, de cinco anos antes. Cloud Nine, com muitos hits e nenhuma canção que ironizasse o showbizz (como fazia desde o final da década de 1970, num diálogo ressentido com imprensa e indústria fonográfica depois do processo de plágio por "My Sweet Lord"), foi um sucesso, embora o comentário ácido esteja presente na canção "When We Was Fab", um mea culpa para os anos de beatle. Entre o processo e aquele disco, George Harrison, por causa do cinismo, havia se tornado um homem chato a ponto de esquecer que sabia fazer hits de qualidade. Por isso o disco é tão importante: trouxe de volta para casa, para usar a expressão budista, a figura artística de George, que retornou às rádios e às entrevistas de violão em punho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Someplace Else &lt;br /&gt;(n'algum outro lugar) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você embarcou na minha &lt;br /&gt;Não sei como encontrou, mas conseguiu &lt;br /&gt;Me tirou do rumo de algum outro lugar &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi difícil falar no começo &lt;br /&gt;Queria muito que você fosse minha &lt;br /&gt;Mas agora entristeço como nunca &lt;br /&gt;Arrependido porque vamos nos deixar &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E por algum tempo você conseguiu me confortar &lt;br /&gt;Me abraçava pelo tempo que fosse necessário &lt;br /&gt;Mas preciso de você do meu lado agora &lt;br /&gt;Enquanto meu mundo está de pernas pro ar &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Solidão &lt;br /&gt;Rostos vazios &lt;br /&gt;Queria deixá-los todos &lt;br /&gt;N'algum outro lugar &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espero que você mude de idéia &lt;br /&gt;Talvez me avise antes &lt;br /&gt;Que também vai ficar triste como nunca ficou &lt;br /&gt;Sofrendo porque nos separamos &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E por um tempinho eu poderia confortar você &lt;br /&gt;E segurar sua imagem na minha cabeça &lt;br /&gt;Preciso de você ao meu lado &lt;br /&gt;Agora, enquanto meu mundo tem a tristeza dos loucos &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;Someplace Else &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;You got into my life &lt;br /&gt;I don't know how you found me, but you did &lt;br /&gt;It stopped me heading someplace else &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Took me a while to say &lt;br /&gt;Wish you belong to me &lt;br /&gt;But now I'm saddened like I've never been &lt;br /&gt;Regretting that we'll leave &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;And for a while you could comfort me &lt;br /&gt;And hold me for some time &lt;br /&gt;I need you now to be beside me &lt;br /&gt;While all my world is so untidy &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Loneliness (oh-o-oh) &lt;br /&gt;Empty faces (oh-o-oh) &lt;br /&gt;Wish I could leave them all (o-oh) &lt;br /&gt;In someplace else &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Someplace else) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I hope you won't let go &lt;br /&gt;Maybe you'll let me know &lt;br /&gt;That you'll be saddened like you've never been &lt;br /&gt;Regretting that we'll leave &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;And for a while I could comfort you &lt;br /&gt;And hold you in my mind &lt;br /&gt;I need you now to be beside me &lt;br /&gt;While all my world is sad and crazy &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Loneliness (oh-o-oh) &lt;br /&gt;Empty faces (oh-o-oh) &lt;br /&gt;Wish I could leave them all (o-oh) &lt;br /&gt;In someplace else &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;And for a while you could comfort me &lt;br /&gt;And hold me for some time &lt;br /&gt;I need you now to be beside me &lt;br /&gt;While all my world is so untidy &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Loneliness (oh-o-oh) &lt;br /&gt;Empty faces (oh-o-oh) &lt;br /&gt;Wish I could leave them all (o-oh) &lt;br /&gt;In someplace else &lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642283-108120466575243841?l=tamarindo-saci.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/feeds/108120466575243841/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642283&amp;postID=108120466575243841' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/108120466575243841'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/108120466575243841'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/2004/04/somplace-else.html' title='SOMPLACE ELSE'/><author><name>tamarindo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05219313432851550070</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642283.post-108118882532432367</id><published>2004-04-05T15:12:00.000-03:00</published><updated>2004-04-05T15:17:29.686-03:00</updated><title type='text'>SÁBIO SAMUELSON</title><content type='html'>&lt;em&gt;por Adalberto Silva&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava no meu estudo diário de Economia, lendo o primeiro capítulo da parte que aborda a macroeconomia, quando fui apresentado a Thomas Crapper, inventor do vaso sanitário com descarga. O nome do encanador inglês apareceu durante uma explanação sobre o aumento da eficiência econômica com a invenção de novos produtos e processos. “Por exemplo, quando Thomas Crapper inventou a sanita interior, milhões de pessoas deixaram de defrontar-se com neve no inverno para obrar nas suas próprias habitações e, no entanto, isto aumentou o conforto apesar de nunca ser refletido no produto interno bruto”, escreveu o senhor Samuelson, Prêmio Nobel, fundador do departamento de economia do MIT e autor do livro que estudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não pude deixar de rir quando me deparei com os termos “sanita interior” e “obrar”, deliciosamente oferecidos pela tradução em português lusitano, legítimo. Ri e continuei a leitura de temas agradáveis porém complexos. Terminada a lição do dia, percebi o gol de letra marcado pelo velho Samuelson. Sábio acadêmico, ele soube a hora certa de soltar uma piada e encher o sangue dos leitores com hormônios da felicidade, deixando-os com pique para as lições seguintes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma vez eu estava em uma palestra, oferecida por uma grande empresa fabricante de amortecedores de automóveis, e senti pena do orador, profissional da área de marketing. Ele subiu ao palco e tirou logo o paletó, na tentativa forçada de criar um ar informal, deu boa-noite e nada.  Boa-noite de novo e quase nenhum feedback, para usar um termo dele. No decorrer da apresentação soltou umas cinco piadas sem qualquer efeito hilariante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sósia do Rubens Ewald Filho não demonstrou abalo. Deve estar acostumado com platéias geladas. Eu fiquei com tanta pena dele que por um momento cheguei a esquecer do coquetel que seria oferecido depois, aliás, o motivo da minha presença no evento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez um dia ele descubra que piada, para causar risadas coletivas, deve tratar daqueles temas universais: homossexualismo, adultério, preconceitos diversos, perversões sexuais, escatologia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sr. Samulson sabe disso. Falou de cocô no meio de uma lição de macroeconomia sem perder a autoridade no assunto que o consagrou. O velhinho domina as coisas. Quando eu crescer quero ser igual a ele.  &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642283-108118882532432367?l=tamarindo-saci.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/feeds/108118882532432367/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642283&amp;postID=108118882532432367' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/108118882532432367'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/108118882532432367'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/2004/04/sbio-samuelson.html' title='SÁBIO SAMUELSON'/><author><name>tamarindo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05219313432851550070</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642283.post-108102969883770500</id><published>2004-04-03T18:19:00.000-03:00</published><updated>2004-04-10T03:24:51.076-03:00</updated><title type='text'>POST</title><content type='html'>&lt;em&gt;por João do Papel&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou sentado diretamente à janela do BLOGGER onde o usuário deve digitar seu post, essa já instituição do século XXI. Antigamente tínhamos grandes diários orgulhosos de ter essa palavra em seu nome, o grandalhão &lt;a href="http://www.washpost.com"&gt;Washington Post&lt;/a&gt; talvez seja o exemplo mais invulgar. A palavra deu origem, entre outras, ao vernáculo POSTER, que em português tornou-se pôster, que todo mundo conhece, a maneira de anunciar determinada mensagem através de um papel colado na parede -- &lt;em&gt;postado&lt;/em&gt; na parede.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outros significados também estão a mão. Se o cidadão norte-americano desconfia que sua propriedade será invadida por indivíduos de castas inferiores (sangue latino e pele bronzeada), pode envolver o jardim com cercas elétricas e colocar grandes placas informando sobre a gravidade do crime de invasão de domicílio, talvez até mesmo em espanhol, para facilitar. Sim, esse rapaz está fazendo "posts", que são avisos contra ou a favor de alguma coisa. O mesmo ianque, se depois de encher-se cuidados e placas, continuar a desconfiar que recebe visitas inadequadas do cucaracha, pode ir a público numa delegacia e "post" este homem como ladrão. Isso mesmo. A palavra também serve para denunciar alguém publicamente. Apontar o dedo, o nosso dedurar. Depois de fazer fama com processos sobre gringos paranóicos, o advogado do mexicano injustiçado pode meter seu nome na lista de telefones como um homem de casos resolutos e preços baixos. Estará fazendo um "post" de seu nome para a lista telefonônica. Já o latino, que só queria ganhar dinheiro e comprar um Playstation II, acabou com 10% da grana do processo (o advogado abocanhou os outros 90%), o suficiente para comprar um Playstation One mais dois CDs de Luta Livre, seu jogo preferido. Quando vence adversários no game, o herói hispânico-falante faz "posts". A palavra também é um sinônimo de "marcar pontos".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem falar nos outros significados mais ou menos difundidos: correio, poste, posto militar (aquela história de posto avançado, lembra?), toque de recolher (somente para o exército inglês), posto de trabalho (emprego), -- pesquisando é arriscado achar mais coisa. A palavra vem do latim &lt;em&gt;postis&lt;/em&gt;, que quer dizer poste. Mas, para desespero dos dicionaristas, também vem do italiano. A origem é da palavra "posta", particípio do verbo "porre", que lá quer dizer colocar (em determinado lugar). Posta tornou-se o nome das estações onde ficavam os cavalos, nas primeiras tentativas de correios do mundo, por causa dos postes onde os mensageiros amarravam seus meios de transporte. Daí até dar o nome de "post" para todos os pacotes de encomendas, mensagens, foi um pulo.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o principal gosto dessa palavra é mesmo o sistema pelo qual as mensagens, objetos, são transportados de um lugar para outro. Exatamente o que está acontecendo aqui, agora, nesse humilde espaço. Estou, simplesmente, postando.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642283-108102969883770500?l=tamarindo-saci.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/feeds/108102969883770500/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642283&amp;postID=108102969883770500' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/108102969883770500'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/108102969883770500'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/2004/04/post.html' title='POST'/><author><name>tamarindo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05219313432851550070</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642283.post-108096613326253922</id><published>2004-04-03T01:21:00.000-03:00</published><updated>2004-04-03T01:30:45.873-03:00</updated><title type='text'>O CARRO DE MEU PAI</title><content type='html'>&lt;em&gt;por João do Papel&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ir para casa e dirigir o carro de meu pai é como refazer a leitura de um livro querido, da adolescência talvez, no volume original. O livro está em más condições, bem consumido. Mas é um bom livro, e dá aquela mesma sensação do primeiro encontro, a maravilhosa hesitação do aprendizado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abro a porta com um macete e assumo a direção. Olho o interior. Este carro é um improviso sobre o chassi. Não há a mais vaga impressão de conforto. Com o incessante virar das folhinhas de mulher pelada (meu pai é mecânico), a direção ficou áspera, o câmbio folgou, e o freio agora tem o mau costume de preferir certa roda em prejuízo da outra. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um motorista desavisado corre sério risco de pane seca ou de levar multa, porque os ponteiros e luzinhas do painel estão caducos. Mas meu pai não liga. Ele conhece o carro. Não precisa de ajuda para saber a diferença entre soluço e engasgo. Entende no carro aquilo que gostaria de ter entendido em muitas mulheres. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois me ocorre que meu pai é um artesão. Não só conserta, mas também cria peças e encaixes em sua bancada suja de graxa. Tem orgulho de, no início da década de 1980, ter adaptado alguns carburadores de Passat em Belina, a fim de melhorar o rendimento da perua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele é muito engenhoso, mas analógico. Sente saudades do carburador, o som do combustível sugado pelo bom e velho carburador (vê nesta peça a justeza de um menino que encontra um caldo-de-cana depois de jogar bola o dia todo). Chips, as pequenas pestes desalmadas. Esses automóveis controlados por chips estão mais mansos para o motorista, mas ficaram impossíveis para os auto-didatas como meu pai. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pergunto se o advento do sincronizado também não matou os mecânicos acostumados ao câmbio seco. Ele desconversa, não foi bem assim meu filho, o câmbio seco é parecido com o sincronizado meu filho, porque nesse caso é tudo de verdade -- ele agita as mãos, desenha no ar as peças e seu movimento -- é  tudo de verdade, eu consigo pegar, eu entendo. Apenas sorrio e concordo com a cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia, ao estudar o remendo certo para determinado escapamento, precisou acalmar o cliente que morria de pressa: "como ensinou o filósofo", disse meu pai, "dê-me uma alavanca e um ponto de apoio e moverei o mundo". Um comentário levemente cínico e muito bem colocado. Falou isso e enlaçou o cano de descarga com um arame, e prendeu tudo na barra que sustenta a carroceria. "Olha aqui", imagino que ele tenha pensado de si para si, "eu sou um mecânico de bairro, mas sou um artesão. Pode não ser o conserto da autorizada, mas tem alma". É uma citação lapidar, o lance genial de um micro-empresário mais artista que burguês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Volto ao encontro que tive com o carro de meu pai. Estou dirigindo o primogênito dos Saveiros; tão velho que divide as vezes do motor 1.500 com o Fusca. Eu acelero, porque o barulho é bom. Um motor célebre, uma voz conhecida. Como tenho orgulho desse Saveiro velho. É um dos melhores amigos do meu pai -- é o carro do meu pai. O carro que agora tenho a honra de guiar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642283-108096613326253922?l=tamarindo-saci.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/feeds/108096613326253922/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642283&amp;postID=108096613326253922' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/108096613326253922'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/108096613326253922'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/2004/04/o-carro-de-meu-pai.html' title='O CARRO DE MEU PAI'/><author><name>tamarindo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05219313432851550070</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642283.post-108096503347287206</id><published>2004-04-03T00:54:00.000-03:00</published><updated>2004-04-03T01:07:34.356-03:00</updated><title type='text'>HERÓIS DE BORRACHA</title><content type='html'>&lt;em&gt;por Adalberto Silva&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O menino pobre adorava brincar de guerra. Tinha seu exército particular, composto por 23 bonequinhos verdes de borracha e mais uns índios e cowboys brindes de goiabada. No seu cantinho na casa simples, era o comandante das maiores batalhas de infantaria. O chinelo virava barricada, uma almofada, colina a ser conquistada. As batalhas duravam dias e mais dias, na sua cabecinha de menino da terceira série.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como todo senhor da guerra que se preze, desejava expandir a tropa. Infelizmente esse brinquedo não era como jogo de bolinha de gude, no qual era possível aumentar o arsenal às custas da inocência dos outros. Um pacote com cinco soldadinhos sortidos custava dinheiro, dinheiro miúdo, mas uma fortuna para o menino de idéias beligerantes e pais desempregados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então ele tem um estalo. Lembra-se que um colega da escola, garoto mimado e meio rico, vive a exibir seu exército no recreio. São tantos bonecos que nem cabem na mochila. Planeja surrupiar um por dia, sem que o dono mais favorecido desconfie.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora o menino tem um belo exército, conquistado às custas do outro, endinheirado e exibicionista, que adora humilhar os coleguinhas de uniformes velhos e merendeiras vazias. Finalmente o menino vai brincar de guerra grande, com muitas trincheiras, manobras, tomadas de posições, atos de coragem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele vai até o cantinho preferido e ajeita o campo da batalha dos sonhos. Nem percebe os tiros que pipocam lá fora, disputa entre traficantes. O menino cai, peito no chão como seus heróis de borracha, atingido por um projétil calibre 7.62.    &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642283-108096503347287206?l=tamarindo-saci.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/feeds/108096503347287206/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642283&amp;postID=108096503347287206' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/108096503347287206'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/108096503347287206'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/2004/04/heris-de-borracha.html' title='HERÓIS DE BORRACHA'/><author><name>tamarindo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05219313432851550070</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642283.post-108079308158492208</id><published>2004-04-01T00:36:00.000-03:00</published><updated>2004-04-01T01:36:52.966-03:00</updated><title type='text'>CUSTA ESSE TANTO</title><content type='html'>&lt;em&gt;por João do Papel&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Traduzi uma canção que amo, depois de ter a cabeça dominada por ela durante boa dose do dia. O autor, George Harrison, era um poeta da melhor qualidade -- escreveu durante toda vida sobre um único tema, sem nunca se esgotar. O assunto é a auto-realização, ou aquilo que os psicanalistas não querem que seus pacientes entendam, porque significaria o fim das dispendiosas consultas, i.e., prejuízo. Mas também pode ser uma canção de amor, ou uma carta para Deus. Respire fundo. E tire você sua conclusão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Shanti,&lt;br /&gt;M.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Custa esse tanto&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o brilho está aparecendo &lt;br /&gt;E você abre os olhos&lt;br /&gt;Porque há orvalho na madrugada de mais um santo dia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu sorriso voltou&lt;br /&gt;E se não é qualquer coisa que vai falar,&lt;br /&gt;Só não pare pela metade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Já que eles se encheram de expectativas, &lt;br /&gt;Vão se decepcionar, porque o melhor virá)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Custa esse tanto (estamos falando disso)&lt;br /&gt;Então serei forte (é disso que precisa)&lt;br /&gt;Não quero ficar com cara de bobo&lt;br /&gt;Se custa esse tanto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chego bem perto (custa esse tanto)&lt;br /&gt;Da porta entreaberta (esse tanto)&lt;br /&gt;Eu quero é ter certeza&lt;br /&gt;Que custa esse tanto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E agora brilha que é uma beleza&lt;br /&gt;E você olha pra dentro da terra prometida&lt;br /&gt;Nem pense em dar pra trás&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se temos que ficar neste mundo pra sempre, oh-oh&lt;br /&gt;Então vamos apostar logo tudo, oh-oh&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Custa esse tanto (estamos falando disso)&lt;br /&gt;Então serei forte (é disso que precisa)&lt;br /&gt;Não quero ficar com cara de babaca&lt;br /&gt;Se custa esse tanto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chego bem perto (custa esse tanto)&lt;br /&gt;Da porta entreaberta (esse tanto)&lt;br /&gt;Eu quero é ter certeza&lt;br /&gt;Que custa esse tanto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;       *  *  *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;That's What It Takes &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;George Harrison&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;And now it begins to shine&lt;br /&gt;And you found the eyes to see&lt;br /&gt;Each little drop at dawn of ev'ry day&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Your smile, it comes back to me&lt;br /&gt;And whatever you may say&lt;br /&gt;Don't let it stop, never fade away&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As we got to get out in this world together, oh&lt;br /&gt;Doesn't really matter if we start to make some changes, oh&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;If that's what it takes (that's what it takes)&lt;br /&gt;Then I've got to be strong (that's what it takes)&lt;br /&gt;Don't want to be wrong&lt;br /&gt;If that's what it takes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;The closer I get (that's what it takes)&lt;br /&gt;Into that open door (what it takes)&lt;br /&gt;I've got to be sure&lt;br /&gt;If that's what it takes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;And now that it's shining through&lt;br /&gt;And you can see all this world&lt;br /&gt;Don't let it stop, never fade away&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;If we got to be in this life forever, oh-oh&lt;br /&gt;Then we'd better be taking all the chances, oh oh&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;If that's what it takes (that's what it takes)&lt;br /&gt;Then I've got to be strong (that's what it takes)&lt;br /&gt;Don't want to be wrong&lt;br /&gt;If that's what it takes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;The closer I get (that's what it takes)&lt;br /&gt;Into that open door (what it takes)&lt;br /&gt;I've got to be sure&lt;br /&gt;If that's what it takes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;That's what it takes, that's what it takes&lt;br /&gt;That's what it takes, that's what it takes&lt;br /&gt;(That's) what it takes, that's what it takes&lt;br /&gt;That's what it takes, (that's) what it takes&lt;br /&gt;That's what it takes, oh, that's what it takes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(repeat and fade:)&lt;br /&gt;Oh, that's what it takes&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642283-108079308158492208?l=tamarindo-saci.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/feeds/108079308158492208/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642283&amp;postID=108079308158492208' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/108079308158492208'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/108079308158492208'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/2004/04/custa-esse-tanto.html' title='CUSTA ESSE TANTO'/><author><name>tamarindo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05219313432851550070</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642283.post-108077592038545078</id><published>2004-03-31T20:31:00.000-03:00</published><updated>2004-03-31T20:35:37.840-03:00</updated><title type='text'>CATARINA</title><content type='html'>&lt;em&gt;por Adalberto Silva&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui nocauteado por uma tremenda gripe. Caí em febre, fiquei prostrado na cama, com a boca seca, o corpo tomado de dores, os olhos vermelhos e lacrimejantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De tão forte, apelidei a moléstia de Catarina, em homenagem ao furacão que visitou o litoral sul do País. Se não me engano, essa é a primeira catarina a me ter assim, intimamente, tomar as minhas vias respiratórias, ir para a cama comigo e causar-me suores noturnos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por causa dela simplifiquei drasticamente o meu espectro de pensamentos. Não tinha cabeça para pensar na falta de emprego e de dinheiro, nem para ler ou produzir um texto. Só pensava em ficar bom, voltar a respirar normalmente, sentir o gosto dos alimentos, dormir tarde e sem camisa, sair na rua. Mas não reclamava da moléstia. É coisa da natureza, inevitável, pensei, confiante nos meus anticorpos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinto que a Catarina está indo embora. Não deixará saudades. Esperto que sou, vou contribuir ao máximo para que ela vá e não volte logo. Vou tomar antitérmico, analgésico, chá de alho e limão, leite quente com chocolate. E dormirei cedo e com camisa, louco para voltar às minhas preocupações mesquinhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642283-108077592038545078?l=tamarindo-saci.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/feeds/108077592038545078/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642283&amp;postID=108077592038545078' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/108077592038545078'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/108077592038545078'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/2004/03/catarina.html' title='CATARINA'/><author><name>tamarindo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05219313432851550070</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642283.post-108069486042157043</id><published>2004-03-30T21:59:00.000-03:00</published><updated>2004-03-31T02:48:53.280-03:00</updated><title type='text'>O SEGUNDO TIME</title><content type='html'>&lt;em&gt;por João do Papel&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A história é simples. Chico Bento vem vindo da escola com a cabeça baixa, traz nas mãos um papel que parece desconfotável. É a última prova de matemática, zerada. Se fizer mal a recuperação, leva bomba e perde a andada da turma. (Sua classe é a mesma desde a década de 60. Reprovam juntos ou o universo das histórias em quadrinhos está congelado no tempo, os garotos não crescem, não mudam de voz, as meninas não ganham formas sinuosas para infernizar a vida dos garotos...) A mãe, terapeuta de primeira, diz que conhece uma simpatia. De acordo com a crença, basta escrever dez vezes em folhas diferentes a lição, levar até uma encruzilhada e atear fogo repetindo a palavra mágica (como faz 15 anos que li, asseguro que posso estar enganado na recontagem dos fatos). Depois de virar a noite fazendo tal serviço, Chico está confiante. Corre tudo bem e, no final, o menino sai da escola dando cambalhotas, porque é um 10 que tem em mãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fim? Agora que fica bom de verdade. A "câmera" se afasta daquele Chico Bento que dá cambalhotas e revela um garoto, no ambiente urbano de uma sala de estar, segurando a revistinha do Chico Bento. Na verdade, o que acabamos de ler não é uma história do Chico Bento, mas a história de um menino lendo uma historinha do Chico Bento. Entendeu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O garoto da cidade tem o mesmo problema do herói -- zerou uma prova e está em risco de perder a companhia dos amigos. A seqüência natural é ele repetir a simpatia, buscando resultado parecido -- a cambalhota, o 10 salvador. Pois bem. Apanha a lição, leva até uma casa de fotocópias, tira dez delas e, num cruzamento movimentado, provoca estranhamento ao queimar o material xerocado. Vai para a escola, faz o teste. Apreensão. Resutado inverso: o guri de apartamento não repete o êxito de Chico Bento. Tira um zero mais redondo que o primeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa historinha me ensinou mais das sutilezas da arte que qualquer outra leitura. Paulo Francis disse que para ele foi Crime e Castigo. Outros podem citar Shakespeare, Stendhal, gênios inquestionáveis, mas fico mesmo com o redator da Maurício de Souza Produções, roteirista se preferir, que escreveu esse texto sensível e delicado, para uma daquelas historinhas ingnificantes que vêm depois da primeira, com desenhistas de segunda, arte-finalistas de segunda, enfim -- o texto que mais mexeu comigo até hoje foi uma obra de segundo escalão. Além de tudo é uma coisa bem brasileira, isso de o segundo time ter momentos mais brilhantes que o primeiro.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642283-108069486042157043?l=tamarindo-saci.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/feeds/108069486042157043/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642283&amp;postID=108069486042157043' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/108069486042157043'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/108069486042157043'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/2004/03/o-segundo-time.html' title='O SEGUNDO TIME'/><author><name>tamarindo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05219313432851550070</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642283.post-108061744243296213</id><published>2004-03-30T00:20:00.000-03:00</published><updated>2004-03-30T00:59:15.763-03:00</updated><title type='text'>CARTA QUE NUNCA FOI ENVIADA</title><content type='html'>&lt;em&gt;por João do Papel&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Encontrei esta carta vadiando na mais remota esquina do meu HD. O arquivo é de 2000, e nem eu sei muito bem sobre o que é.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oi menina,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida é chata com algumas pessoas. Pode ter certeza de que falo sério, meio sério. Mas minha vontade agora é cantar, louvar-lhe em versos justos, justíssimos, mostrar a admiração que tenho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre que faço, lembro de sua presença com uma ternura  incontrolável. Somos lindos amigos, miseráveis no coração, sofridos assim por vontade própria (você mais que eu, devo admitir). Entendo sua melancolia, por isso acabo adotando a tristeza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu carinho por você é confortável, me faz homem grande com frio na barriga. Faz achar que estou apaixonado por você, veja só. Pensei bastante sobre tudo, sobre toda a situação. Achei resposta: não sei ao certo o que é, mas não é simples. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinto vontade de estar em uma sala perfumada, vazia a não ser por você e seus braços. Lá estaria, pensando em minha vida, na vida dos outros, na vida das plantas, teria paz para pensar na vida das rochas milenares, entenderia tudo, inclusive o moço por quem suspiras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, não estou apaixonado por você. Não quero seu corpo, não quero seus beijos, apenas seu colo. Quero você ao meu lado. Quero que você me ame, porque te amo. E porque estou confuso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora pense nisso, acenda um cigarro e escreva uma resposta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinceramente seu, &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;M.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642283-108061744243296213?l=tamarindo-saci.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/feeds/108061744243296213/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642283&amp;postID=108061744243296213' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/108061744243296213'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/108061744243296213'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/2004/03/carta-que-nunca-foi-enviada.html' title='CARTA QUE NUNCA FOI ENVIADA'/><author><name>tamarindo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05219313432851550070</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642283.post-108061596352297533</id><published>2004-03-29T23:59:00.000-03:00</published><updated>2004-04-03T01:12:37.170-03:00</updated><title type='text'>O MEDO DO ARTILHEIRO DIANTE DO PÊNALTI</title><content type='html'>&lt;em&gt;por Adalberto Silva&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O jogo daquela quarta-feira calorenta era decisivo para o nosso herói. Só uma vitória livraria o seu time da terceira divisão do campeonato brasileiro. Uma vitória simples, jogando em casa contra uma equipe do interior gaúcho que cumpria tabela, cansada depois da viagem de ônibus e desfalcada do principal jogador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pena que nosso herói, artilheiro do time, está espiritualmente distante do jogo. Sente medo, sente raiva, tem vontade de tirar o uniforme e fugir do estádio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda assim ele entra em campo. Sem fogos, sem crianças de mãos dadas, recepcionado por uns 10 torcedores e uma débil batucada. Toca com as mãos a grama ressequida, arranca um pequeno ramo e coloca-o entre a caneleira e a meia da perna direita. É pra dar sorte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O artilheiro olha para a torcida, um bando de velhos bêbados e desocupados, e sente asco. Repudia a obrigação de dar alegria a uns sujeitos entupidos de cerveja, que só estão ali por não agüentarem suas esposas rabugentas. Ele queria mais. Sonhava, como seus colegas, jogar em clube grande e quem sabe chegar à seleção. Agora, aos 29 anos, não tem mais ambições. Só pensa em fazer um gol, livrar o time do rebaixamento, dirigir o carro modesto até a casa e dormir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começa o jogo. O herói, disperso, se aproveita da condição de centroavante e some do jogo, das disputas de bola, das arrancadas. Prefere pensar nas expectativas dos pais, irmãos, cunhados, vorazes por um quinhão do dinheiro e da fama que ele poderia conquistar. Lembra-se do churrasco oferecido por um tio sovina quando foi convidado para jogar nos juniores do Vasco da Gama. E do desprezo quando foi dispensado, meses depois. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nosso herói está frustrado por não ter sido o herói da sua família. Sente a alma doer, doer mais que o joelho esfolado pelo campo esturricado. Penalidade máxima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele se levanta e prepara a cobrança. Olha para o goleiro, um grandalhão loiro, toma distância e treme. Nem passa pela sua cabeça que o goleiro é tão miserável quanto ele e também calça chuteiras da temporada passada. O herói, aflito, não vê gol, arquibancada vazia, adversários ou companheiros de equipe. Só vê o olhar esperançoso da mãe, sempre certa de que no próximo contrato do filho ganhará a casa dos sonhos, grande e com piscina. A velha humilde e meiga ainda está lá quando o juiz autoriza a cobrança do penal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A bola, no canto oposto do goleiro, sobe e bate no alambrado. Zero a zero é o placar final. Nosso herói ainda ouve alguém chamá-lo de filho da puta, antes de desabar aos prantos no vestiário.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642283-108061596352297533?l=tamarindo-saci.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/feeds/108061596352297533/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642283&amp;postID=108061596352297533' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/108061596352297533'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/108061596352297533'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/2004/03/o-medo-do-artilheiro-diante-do-pnalti.html' title='O MEDO DO ARTILHEIRO DIANTE DO PÊNALTI'/><author><name>tamarindo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05219313432851550070</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642283.post-108052064341912746</id><published>2004-03-28T21:36:00.000-03:00</published><updated>2004-03-28T21:54:42.093-03:00</updated><title type='text'>FAQ</title><content type='html'>&lt;b&gt;Quem somos?&lt;/b&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marcos Antonio Sacramento (Adalberto Silva) e Marcelo Zorzanelli Ferri (João do Papel). Dois escritores baratos.&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;O que queremos?&lt;/b&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Somos preguiçosos. Com o compromisso do blog, ficamos mais espertos então produzimos mais. Qual é o compromisso do blog? Olhe mais abaixo.&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;O compromisso do blog:&lt;/b&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Duas crônicas diárias -- uma de cada autor. O target: tentar diariamente atingir a crônica de maior qualidade já realizada por cada um.&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;O que queremos com isso?&lt;/b&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Exercitar a escrita, e, mais importante, ganhar o mundo, i.e., receber convites para escrever por aí. Com remuneração.&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Que nome é esse?&lt;/b&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O nome não quer dizer nada. Talvez -- eu disse talvez -- uma homenagem ao seriado Chaves e ao folclore nacional. Mas a associação das duas palavras não quer dizer rigorosamente nada.&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642283-108052064341912746?l=tamarindo-saci.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/feeds/108052064341912746/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642283&amp;postID=108052064341912746' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/108052064341912746'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/108052064341912746'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/2004/03/faq.html' title='FAQ'/><author><name>tamarindo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05219313432851550070</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642283.post-108051020718534332</id><published>2004-03-28T18:37:00.000-03:00</published><updated>2004-03-28T18:59:45.403-03:00</updated><title type='text'>SEXO</title><content type='html'>&lt;em&gt;por João do Papel&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;PREÂMBULO: &lt;/strong&gt;Sexo bom eleva o espírito porque é o destino do amor entre um homem e uma mulher; mas também é a trágica humilhação do espírito, a prova de que somos acorrentados ao mundo material e à satisfação dos sentidos.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A língua dela cola no céu da minha boca como um punhado de farinha seca. Depois a minha passeia pela flor de seu pescoço, e sinto os arrepios que sentia o Velho Braga, quando perguntava quantas guerras, quantas rudezas não custou à raça humana chegar até a perfeição da curva deste pescoço, deste colo, da disposição do arquipélago de pintas. Respiro a pele macia dos seios, o movimento suave dos braços, o aperto da mão delicada. Não há muito o que dizer. Os olhos de lápis preto manchados pelo suor, o cabelo despenteado, o vapor do corpo dela subindo pelo meu sangue, indo para a cabeça. Fixo com o olhar um ponto perdido na parede e me concentro no sabor de sua nuca. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sangue brinca de subir e descer, a mente está leve feito algodão doce. Meus olhos ficam claros, como se as nuvens pesadas fossem afastadas por uma jogada do vento sul. Vejo a maravilha que a natureza preparou para sua própria multiplicação. Aprecio com calma o segredo das pintas na coxa, procuro um padrão que decifre o mistério da criação. Acaricio meu amor com as mãos que uso para trabalhar, assim como falo coisas bonitas com a mente que uso para trabalhar. De uma certa maneira, estou trabalhando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em qualquer outro ramo de ativididade humana, a repetição é persona non grata. Jogue fora o livro que insere o mesmo parágrafo eternamente, apesar de escrito em palavras diferentes (reserve um bom tempo, porque são muitos estes livros). Ignore a canção sem notação, quando um tipo de som é tocado sem sabor. Mas não recomendo nunca o mesmo para o sexo. Aqui a repetição é muito bem-vinda, amada. A repetição está para o sexo como a genialidade está para a loucura. Ela também é bem-vinda na poesia de Jards Macalé, na forma de verbos conjugados na musical terceira pessoa:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Frases desesperadas lençóis &lt;br /&gt;Onde me ama&lt;br /&gt;Furiosas garras&lt;br /&gt;Meu amor me agarra &amp; geme &amp; treme &amp; chora &amp; mata&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Belos versos, aos que eu ajuntaria, com a humildade necessária, um contraponto telúrico:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E acabamos os dois, encapados de suor. &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642283-108051020718534332?l=tamarindo-saci.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/feeds/108051020718534332/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642283&amp;postID=108051020718534332' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/108051020718534332'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/108051020718534332'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/2004/03/sexo.html' title='SEXO'/><author><name>tamarindo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05219313432851550070</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642283.post-108041442427983000</id><published>2004-03-27T16:02:00.000-03:00</published><updated>2004-03-27T16:10:36.356-03:00</updated><title type='text'>AO VENCEDOR, OS TOMATES</title><content type='html'>&lt;em&gt;por Adalberto Silva&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dias atrás comprei um exemplar atrasado da revista “Radar Interativo”. O número de estréia, para ser mais preciso. Paguei R$1,99 ao meu amigo jornaleiro, com quem sempre vou bater papo depois do almoço e aproveito para filar os jornais do dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo nas primeiras páginas encontrei uma matéria capenga sobre Michael Moore, um exemplo perfeito de jornalismo-marmitex, aquele praticado no intervalo das refeições, ou entre um frila e outro. Mas não escrevo para criticar a revista, faço isso outra hora. Escrevo, sim, para chutar o traseiro do cineasta e escritor queridinho da esquerda bem nutrida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não vou criticá-lo com argumentos racionais, que me tomariam tempo e fosfato. Prefiro economizar palavras e dizer, apenas, EU ODEIO MICHAEL MOORE. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gostaria de desafiá-lo em uma luta de boxe sem luvas, a despeito do americano pesar mais que eu. É claro que ele não iria aceitar o desafio de um mero desconhecido latino-americano. Se eu fosse um anônimo rico e texano, herdeiro de petrodólares, representante legítimo dos w.a.s.p, aposto que ele encararia. Ou, no mínimo, alardearia o bafafá. Michael Moore é do tipo que escolhe os inimigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo assim eu sonho em socar aquela cara gorducha, arremessar aqueles óculos longe do ringue, nocautear o queridinho da américa esclarecida e depois ser bombardeado por tomates não transgênicos vindos da platéia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um desses tomates seria presente da Raphaela*, estudante de Jornalismo de uma conhecida instituição particular de Vitória. Ela parece ter lido um hipotético manual de “como ser legal e parecer uma pessoa alternativa”: tem os cabelos curtinhos, usa badulaques hippies, tem estrelinhas tatuadas pelo corpo, curte sons que ninguém conhece, dirige vídeos e culpa o neoliberalismo por todas as desgraças do país. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conversávamos sobre “Tiros em Columbine” numa mesa de bar com mais cinco pessoas, quando ela, empolgada, pergunta a opinião do único graduado presente. Respondi que saí do cinema com vontade de fundar a Sociedade Brasileira do Rifle, embora não tenha arma em casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A menina fechou a cara e não falou mais comigo. Um silêncio nauseabundo baixou no recinto. Depois de breve desconforto, paguei minha conta no boteco e fui embora, certo de que tinha feito um gol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*o nome foi trocado para preservar a identidade da moça. &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642283-108041442427983000?l=tamarindo-saci.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/feeds/108041442427983000/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642283&amp;postID=108041442427983000' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/108041442427983000'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/108041442427983000'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/2004/03/ao-vencedor-os-tomates.html' title='AO VENCEDOR, OS TOMATES'/><author><name>tamarindo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05219313432851550070</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642283.post-108031115921176895</id><published>2004-03-26T11:22:00.000-03:00</published><updated>2004-03-26T11:29:29.390-03:00</updated><title type='text'>O PEQUENO PILOTO</title><content type='html'>&lt;em&gt;por Adalberto Silva&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a boca seca por causa de ressaca de sono, espírito meio baqueado depois de peregrinar por três agências bancárias, vou ao computador batucar modestas palavras. Mal abro o word e corro em direção à janela, atraído pelo ruído rasante de um helicóptero militar, verde, imponente. Fico olhando pro céu durante uns cinco minutos, em busca de nova aparição da aeronave. Enquanto isso, lembro dos tempos de criancice, da época em que eu sonhava ser aviador. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Moleque comportado e estudioso, que nunca se imaginou jornalista, colecionava álbuns de figurinhas de aviões e lia, lia muito sobre o tema. &lt;br /&gt;O guri cresceu um pouquinho, passou a reparar nas pernas das coleguinhas de classe, conheceu o rock’n’roll, mas não deixou de querer ultrapassar a barreira do som, cortar as nuvens a bordo de um Tucano da esquadrilha da fumaça. Dos filmes da sessão da tarde, adorava O Pequeno Príncipe, principalmente a cena em que o protagonista pilotava cantando antes de cair no deserto. Mas para os amigos, só falava de Águia de Aço e Top Gun, Trovão Azul e Águia de Fogo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia alguém lhe falou que pilotos não podem usar óculos de grau. O garoto míope, que já começava a deixar de lado seus bonecos dos Comando Em Ação, desistiu da Academia da Força Aérea. Sai de cena o pequeno aviador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De vez em quando ele aparece por aqui. Vívido, saltitante, doido para vestir um macacão, colocar o capacete com seu apelido (Mustang, Gigante, Ulisses? Ulisses, é melhor!) escrito em fonte cursiva, entrar na cabine do supersônico e voar, voar, voar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642283-108031115921176895?l=tamarindo-saci.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/feeds/108031115921176895/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642283&amp;postID=108031115921176895' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/108031115921176895'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/108031115921176895'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/2004/03/o-pequeno-piloto.html' title='O PEQUENO PILOTO'/><author><name>tamarindo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05219313432851550070</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642283.post-108023522483459366</id><published>2004-03-25T13:46:00.000-03:00</published><updated>2004-03-26T00:33:51.356-03:00</updated><title type='text'>SOBRE "AS LOUCAS BALADAS DOS PAULISTINHAS ENDINHEIRADOS"</title><content type='html'>&lt;em&gt;por João do Papel&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem ainda não leu, mas pode ler &lt;a href="http://noticias.aol.com.br/brasil/fornecedores/aol/2004/03/19/0018.adp"&gt;aqui&lt;/a&gt; a matéria sobre a Geração $, turminha de paulistas cheios de grana, não perdeu nada. O texto, que invadiu com a impetuosidade de um &lt;em&gt;ILoveYou&lt;/em&gt; os e-mails da classe média trabalhadora, é uma obra de ficção atestando que -- sim -- os filhos dos ricos são arrogantes e preconceituosos. Mas... onde está o confronto, marca do bom jornalismo? Porque o que essa matéria faz é reforçar um estereótipo, arrastando para a &lt;a href="http://noticias.aol.com.br/brasil/fornecedores/aol/2004/03/20/0003.adp"&gt;página do AOL&lt;/a&gt; milhares de mensagens no tom de "era isso mesmo que eu pensava deles, aqueles fdp". Essa matéria, ficção da boa, é jornalismo da pior categoria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O &lt;em&gt;New Journalism&lt;/em&gt;, a técnica explorada pelo autor da matéria, é uma coisa atraente. O movimento literário da década de 60, que rendeu bons livros, textos inteligentes e a imbatível criatividade da vida real, é uma mistura de apuração psicótica, uma pororoca de detalhes, prosa bem costurada, narrativa de romances psicológicos e talento. Mas deixou a credibilidade de lado. O jornalista, na sanha de impressionar, toma liberdades que vão mal com a imparcialidade. E imparcialidade é o gol supremo de qualquer diário de notícias que se leva a sério. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como está bem dito na página de comentários do Nomínimo (&lt;a href="http://nominimo.ibest.com.br/notitia2/newstorm.notitia.presentation.NavigationServlet?publicationCode=1&amp;pageCode=33&amp;date=currentDate"&gt;aqui&lt;/a&gt;), a matéria versa sobre eventos que levam até o menos sensível a oscilar entre excitação e náuseas, desejo e repulsa. Isso é literatura. Para fazer isso, ele escreve com meia dúzia de preconceitos em cada bolso. A pergunta que não quer calar: o que há de diferente entre essa história que percorreu os e-mails corporativos e a bravura teatral dos comentaristas de TV em programas como "Cidade Alerta" e "Brasil Urgente"? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da mesma forma que o Gugu foi proibido de ir ao ar por falsificar uma exclusiva com o PCC; da mesma maneira que o Ratinho atrapalhou a negociação durante o sequestro do irmão do Zezé di Camargo; da mesma maneira que o repórter do &lt;em&gt;New York Times&lt;/em&gt; inventou mil matérias lindas e caiu do cavalo; nós, os consumidores -- classe média, classes D e E, governantes, empresários, macumbeiros, terroristas, papas, cachorros e papagaios -- somos os responsáveis. É tudo igual, e escolha nossa. Ninguém gosta de construir opiniões críticas ao redor de um assunto. A matéria do AOL, por mais inteligente que seja, é um passo para trás. A prova de que nosso gosto converge para a ficção de qualidade, custe o que custar. E -- fetiche! -- quando a obra de ficção vem com a assinatura de um jornalista diplomado, jurando que foi tudo apurado no fio da barba, o sabor é incomparável. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E pergunte se alguém quer tirar o sabor incomparável da boca.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642283-108023522483459366?l=tamarindo-saci.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/feeds/108023522483459366/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642283&amp;postID=108023522483459366' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/108023522483459366'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/108023522483459366'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/2004/03/sobre-as-loucas-baladas-dos.html' title='SOBRE &quot;AS LOUCAS BALADAS DOS PAULISTINHAS ENDINHEIRADOS&quot;'/><author><name>tamarindo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05219313432851550070</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642283.post-108018906824734674</id><published>2004-03-25T01:29:00.000-03:00</published><updated>2004-03-25T01:34:36.546-03:00</updated><title type='text'>BOLO DE CENOURA</title><content type='html'>&lt;em&gt;por João do Papel&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No corredor do meu andar senti o cheiro de bolo de cenoura. E isso já eram quinze para a meia-noite. Estranho. Quem ia mexer com bolo uma hora dessas? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei se era esse o cheiro. Podia ser calda de chocolate, que é muito usada sobre os melhores bolos de cenoura. Um nariz mais bem treinado, e até por isso mais cheio de soberba, diria que, indiscutivelmente, se tratava do delicado aroma da calda de chocolate sendo despejada sobre o bolo de cenoura. Mas aí é coisa para profissional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imagino, com uma ponta de melancolia, que o bolo era assado no humilde lar de um migrante, como eu. E que nesta noite de quinta-feira, fria e inexpressiva, a saudade apertou tanto aquele coração que só a receita de bolo, trazida de casa, daria jeito. Vejo uma estudante delicada, muito alva, entre raladores e farinhas, batendo a massa já com princípio de desespero; depois ela senta-se em frente ao forno, olhando o bolo crescer, e uma lágrima escorre pela bochecha; por fim vem o soluço e a queimadura no dedo porque ela esqueceu de pegar a fôrma com um pano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A estudante agora come seu bolo, toma seu leite tipo B e sonha com os dias felizes de lá para trás. Ah, como senti saudade da minha casa, no início. Mas passou, e, ei, amiga passarinha, passa, você vai ver. É o inverno, a gente tem que voar, por instinto. No verão você volta para casa, de penagem nova, vai ser legal. E depois olha para trás e dá um sorriso meio triste, porque lembra da dor. Mas também lembra que foi forte. Espero que você seja forte, porque é muito bonito ser forte. Seja forte, nem que tenha que fazer um bolo de cenoura por dia. Eu vou amar o cheiro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642283-108018906824734674?l=tamarindo-saci.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/feeds/108018906824734674/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642283&amp;postID=108018906824734674' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/108018906824734674'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/108018906824734674'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/2004/03/bolo-de-cenoura.html' title='BOLO DE CENOURA'/><author><name>tamarindo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05219313432851550070</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642283.post-108018597953679857</id><published>2004-03-25T00:34:00.000-03:00</published><updated>2004-03-25T00:43:07.686-03:00</updated><title type='text'>ADORO FEIJÃO TROPEIRO</title><content type='html'>&lt;em&gt;por Adalberto Silva&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existem dois acontecimentos que eu não presenciei e pelos quais pagaria um bom trocado para ser testemunha ocular da história, como dizia o repórter esso. Não falo de fatos memoráveis da História com H maiúsculo, como o legendário gol de Pelé contra o Fluminense ou o desembarque dos comandos aliados em Omaha, e sim de dois eventos envolvendo pessoas comuns e um gênero alimentício de primeira necessidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro foi narrado no post “Segunda-feira ou lata de margarina”. Sem mais detalhes aqui. O segundo, ainda inédito em caracteres, me foi contado por um amigo. Esse cara exercia a função de auxiliar de balconista em uma farmácia de Jardim Camburi. O balconista sênior se chamava João, um tipo gordinho com barba estilo João Bosco, educado, bem articulado, amante de choro e água mineral com gás. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sábado, movimento fraco, João pede ao meu amigo que vá buscar uma porção de feijão tropeiro na churrascaria ao lado. O garoto vai, estômago já se manifestando feito wah-wah de guitarra, tão solícito quanto interessado em saborear o acepipe.  Retorna logo, cumbuca de isopor quente e perfumada nas mãos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O boticário agradece e se dirige ao fundo da farmácia para deliciar-se com o sonho de consumo instantâneo. Meu amigo vai atrás, em busca da parte que lhe cabe. Os dois lavam as mãos, preparam talheres, falam asneiras, até que João surta, como tomado por entidade de candomblé. Ele dá um urro e avança violentamente contra a cumbuca. Pega o feijão com as mãos e comprime com toda força fazendo um bolinho, que engole ao mesmo tempo em que emite ruídos guturais. Repete a performance umas cinco vezes, até que só restem vestígios do tropeiro espalhados pelo chão e grudados na sua barba. Sem pronunciar palavra, bebe um copo de água, limpa a boca, o rosto, e, como se nada tivesse acontecido, diz ao amigo: “adoro feijão tropeiro”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O trainee, assustado, até se esquece da fome despertada pelo aroma do feijãozinho. Não mastigou nada mas ganhou uma boa história para contar. Sempre conta o causo empolgado, e eu, com um tico de inveja, nunca me canso de ouvir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642283-108018597953679857?l=tamarindo-saci.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/feeds/108018597953679857/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642283&amp;postID=108018597953679857' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/108018597953679857'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/108018597953679857'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/2004/03/adoro-feijo-tropeiro.html' title='ADORO FEIJÃO TROPEIRO'/><author><name>tamarindo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05219313432851550070</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642283.post-108010039877581778</id><published>2004-03-24T00:29:00.000-03:00</published><updated>2004-03-24T18:36:19.293-03:00</updated><title type='text'>CHAME O PINEL</title><content type='html'>&lt;em&gt;por Adalberto Silva &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos destaques no noticiário da semana passada foi a prisão do biltre Sérgio Naya. Na hora em que um dos telejornais mostrava o fato, minha mãe, indignada com as façanhas do velhaco e ávida por compreender a mente criminosa de Naya, concluiu que ele não passa de um sem-vergonha. Opinião eloqüente, vide o currículo do meliante, mas sem qualquer fundamento, bradou minha mente cientificista, gerada em intermináveis leituras do Manual do Escoteiro dos Sobrinhos do Pato Donald e experimentos com um kit de química comprado nas lojas Americanas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu gênio iluminista descobriu (não pergunte-me como, por favor) que Sérgio Naya, José inocêncio, a fraudadora do INSS cujo nome não me ocorre agora, Nicolau Lalau e seus pares são portadores de uma nova patologia, cujo principal sintoma é a compulsão por falcatruas, robalheiras, corrupção (ativa e/ou passiva, depende do grau da moléstia), na maioria das vezes envolvendo verbas públicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os portadores da XXXXpatia (o nome da doença será escolhido em um concurso) roubam por prazer, e não para satisfazer as necessidades materiais. A prova disso é que todos eles, sem exceção, continuam nas atividades fraudulentas mesmo depois de conquistarem fortunas. O maior prazer do XXXXpata é organizar operações complicadíssimas para burlar o fisco, superfaturar licitações, sair milionário de processos de falência, entre outras tramóias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No início dos estudos sobre o assunto, pensei que a XXXXpatia fosse uma moléstia adquirida. Desconfiei, inclusive, que o mal só acometesse bacharéis em Direito. Mais tarde vi que estava errado, porque as biografias dos corruptos estudados (não foram poucos) mostram que eles já era afeitos a falcatruas bem antes de largarem os cueiros. Sérgio Naya, por exemplo, era especialista em vender falsas rifas aos sete anos de idade. Dizem que até um conhecido malandro da Lapa, criador de golpes fantásticos, caiu na lábia do garoto.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É mais provável que a XXXXpatia seja uma doença congênita, como a psicopatia. E sem cura, porque  não há caso de corrupto recuperado após tirar uma (sempre pequena) cadeia ou ter os bens (na verdade um décimo do total) bloqueados. Depois de diagnosticada a doença, o único tratamento recomendado é o isolamento do paciente em um manicômio. Sem direito a habeas corpus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642283-108010039877581778?l=tamarindo-saci.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/feeds/108010039877581778/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642283&amp;postID=108010039877581778' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/108010039877581778'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/108010039877581778'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/2004/03/chame-o-pinel.html' title='CHAME O PINEL'/><author><name>tamarindo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05219313432851550070</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642283.post-108008221243872034</id><published>2004-03-23T19:36:00.000-03:00</published><updated>2004-03-24T18:30:27.653-03:00</updated><title type='text'>DILEMA</title><content type='html'>&lt;em&gt;por João do Papel&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dilema moral desaguou com tudo em minha vida. Gostaria de ter a leveza de um Aldir Blanc para deixar isso engraçado, mas contenho-me; vou com o que tenho, que é quase nada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O assunto começa assim: pago em dia, com justiça e na bucha aquilo que devo. Mas, quando estou gastando demais em determinado balcão, contraio dívidas sob a desculpa de ter esquecido a carteira em outra algibeira. Isso mata dois coelhos com uma carteirada: me alivia dos gastos daquele momento e cria uma barreira natural para impedir que eu gaste mais naquele lugar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas esse mês eu exagerei. Fiz a "coisa" em dois estabelecimentos; sendo que um é defronte o outro. Agora tenho um problema de almanaque -- como transportar uma galinha, um cachorro e um sapo para o outro lado do rio se você tem apenas um bote e o cachorro não suporta a galinha, o sapo por sua vez se irrita com o cachorro etc? A regra do meu problema é a seguinte: não consigo passar na frente de um lugar onde estou devendo; e também não posso passar no meio da rua, porque tem carros. Como fazer? Escolho o restaurante, onde sou malquisto por dez reais; ou o sebo de livros, onde dei um tombo mais singelo, de seis? Digo, qual dos dois escolho para quitar a dívida?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O lugar onde devo menos, não é mesmo? Não, porque preciso comer no restaurante, que tem uma salada waldorf supimpa e muito azeite aromático. Mas, e as novidades que chegam ao sebo? É uma atividade caótica, tornar-se cliente de sebos. Porque nunca tem o que você quer, e quando chega, é arriscado perder porque deixou de ir ontem. Um dia faz toda a diferença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou cada vez mais longe da resposta. Porém, há uma coisa suprema que posso fazer, sim. Simples, até. Digna e simples. Vou me esforçar um pouco -- mas é assim que se fazem homens maduros. Vou procurar outra rua para passar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642283-108008221243872034?l=tamarindo-saci.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/feeds/108008221243872034/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642283&amp;postID=108008221243872034' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/108008221243872034'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/108008221243872034'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/2004/03/dilema.html' title='DILEMA'/><author><name>tamarindo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05219313432851550070</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642283.post-108001152837313569</id><published>2004-03-23T00:10:00.000-03:00</published><updated>2004-03-24T18:37:29.170-03:00</updated><title type='text'>UM PERFIL E UM SÓ PONTO</title><content type='html'>&lt;em&gt;por Adalberto Silva&lt;/em&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu ofício são as palavras, mesmo escorregando no vernáculo, foi com elas que escolhi ganhar a vida, torço pelo Fluminense, acredito que dinheiro trás felicidade, gosto de empadão, já fiz rapel, sonho um dia ser campeão de boxe na categoria meio-médio, babo a Mônica Belucci mas prefiro a Débora Lamm, sou impetuoso, volúvel, apaixonado, gosto de cães, levaria para uma temporada na cadeia meus discos do Sonic Youth, Roberto Carlos e Weezer, ainda vou discutir economia com a repórter Elaine Bast depois de fornicarmos durante horas seguidas, não tenho tatuagem nem hérnia de disco nem gastrite, costumo ler os editais de proclamas, de onde tirei o meu pseudônimo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642283-108001152837313569?l=tamarindo-saci.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/feeds/108001152837313569/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642283&amp;postID=108001152837313569' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/108001152837313569'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/108001152837313569'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/2004/03/um-perfil-e-um-s-ponto.html' title='UM PERFIL E UM SÓ PONTO'/><author><name>tamarindo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05219313432851550070</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642283.post-107998883296630329</id><published>2004-03-22T17:35:00.000-03:00</published><updated>2004-03-24T18:38:51.436-03:00</updated><title type='text'>SEGUNDA-FEIRA OU LATA DE MARGARINA</title><content type='html'>&lt;em&gt;por João do Papel&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitas pessoas estão se dizendo chateadas com o verão que termina agora. Como se houvesse a quem reclamar contra as chuvas, a falta de graça no carnaval, o excesso de trabalho, a falta de grana, etc. Não é fácil aceitar as coisas como elas são, e dá para fazer pouco contra isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas que idéia ruim; desabar um sinal digital de um servidor lá de longe para postar uma besteira como essa. Vocês não têm idéia de como é chato sentar à máquina para escrever uma crônica por dia sem ter assunto. Só uma alma encharcada de filosofia e moral pode falar sobre o nada -- pelo menos uma guerra no currículo já estaria bom. Agora arriamos eu e Adalberto este site, sem ter assunto, ainda por cima querendo fazer humor. Pedantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nossa história mais famosa foi vivida só por mim. E ele escuta como uma criança vendo VHS da Disney; repete, repete, repete. A história é a seguinte: éramos, eu e Adalberto, administradores do laboratório de informática do curso de comunicação. E um estudante do ensino fundamental das redondezas usou de seu direito de ir e vir na faculdade pública e criou um projeto social para ele mesmo: Maxwell, um garoto de 10 anos com look andrógino-gordinho, usava os computadores para fazer de tudo, criar páginas na internet, remeter e-mails, e escrever seu famoso livro, que depois ficou constatado era plágio deslavado de Monteiro Lobato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia Maxwell estava no laboratório desde cedo, e, pela hora do almoço, um pouco antes, colocou sobre a mesa (desktop) uma lata de margarina (can of vegetal butter). Não havia margarina dentro, mas uma tonelada de arroz com feijão, coroada com um ovo frito, ovo estrelado. O cheiro que tomou conta de tudo era de tempero forte, e o agridoce do feijão tampado por quatro horas. Mais meia hora e azedava tudo. Foi um momento de muita sensibilidade. Maxwell puxou uma colher gigante, capaz de comer meio pote de vez, olhou para mim e perguntou se podia fazer a refeição ali.  Respondi que sim e saí para chorar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas acho que não consegui chorar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642283-107998883296630329?l=tamarindo-saci.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/feeds/107998883296630329/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642283&amp;postID=107998883296630329' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/107998883296630329'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/107998883296630329'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/2004/03/segunda-feira-ou-lata-de-margarina.html' title='SEGUNDA-FEIRA OU LATA DE MARGARINA'/><author><name>tamarindo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05219313432851550070</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642283.post-107992541472327015</id><published>2004-03-22T00:06:00.000-03:00</published><updated>2004-03-24T18:44:37.640-03:00</updated><title type='text'>UM BANQUINHO, UM VIOLÃO</title><content type='html'>&lt;em&gt;por Adalberto Silva&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu detesto violão. Descobri isso numa festinha na casa de um amigo. Bem, não odeio completamente. Culpa das canções de Bob Dylan e do Rei Roberto tocando “Detalhes”, que ajudaram a diminuir a minha antipatia pelo instrumento. Aliás, a repúdia maior não é nem em relação ao som (neste quesito, eu odeio, em caps lock, gaita), mas pelo seu cunho antisocial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Explico melhor. Na festa, regada a cerveja e adubada com carne vermelha, não havia conversa, interação pessoal, nada. Só a cantoria das pérolas da MPBB (música popular brasileira de barzinho): “O Bêbado e o equilibrista”, “Oceano”, “Já sei namorar”, "Tarde em Itapuã", legião urbana, mamonas assassinas. As únicas palavras ouvidas, tirando a letra das músicas, eram um “pega uma cerveja pra mim?”, “toca Zeca Pagodinho”, “nossa, essa é ótima”. O ambiente estava perfeito para os tímidos patológicos, daqueles que se borram nas calças quando interpelados por alguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de tudo, fui um dos últimos a sair. Já em casa, com as vistas embaçadas e o sangue cheio de cerveja, tentei ver a corrida de Fórmula 1. No momento em que digito essas linhas, ainda não sei o resultado da corrida. Mas a minha prostração no sofá da sala rendeu uma boa teoria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto olhava a TV, imaginei que o violão, ou melhor, a ausência dele, poderia ter mudado o destino do Brasil. Transporte-se para o período da ditadura militar. A oposição, fervilhante, repleta de universitários desejosos de liberdade. E universitários desejosos de liberdade, como se sabe, adoram sentar em torno de um violão. Quantas discussões, plenárias, articulações de guerrilhas, passeatas foram adiadas por causa paixão coletiva pelo instrumento de seis cordas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensando bem, até que o violão é um instrumento legalzinho... Se não fosse ele, a esquerdinha se articularia melhor e o Brasil poderia ter se tornado uma Albânia, ou uma Cuba hipertrofiada, quem sabe Camboja. Sem violão, não haveria nada de afrouxamento lento, gradual e seguro. Mas se o país pulasse do Comunismo para o Capitalismo pululante do Tigres Asiáticos? A melhor coisa é esquecer a ucronia para não ficar igual a um cachorro em busca do próprio rabo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma coisa é certa. Da próxima vez em que eu for a uma festinha e der de cara com a rodinha de violão, vou ter algo para culpar se for embora sem beijar nenhuma garota. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642283-107992541472327015?l=tamarindo-saci.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/feeds/107992541472327015/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642283&amp;postID=107992541472327015' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/107992541472327015'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/107992541472327015'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/2004/03/um-banquinho-um-violo.html' title='UM BANQUINHO, UM VIOLÃO'/><author><name>tamarindo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05219313432851550070</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642283.post-107989142738482507</id><published>2004-03-21T14:44:00.000-03:00</published><updated>2004-03-24T18:40:44.950-03:00</updated><title type='text'>NERUDA NA JANELA</title><content type='html'>&lt;em&gt;por João do Papel&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que efeito formidável teve em minha viagem de ônibus até em casa a leitura de "Pelas Praias do Mundo",  livro de Pablo Neruda em prosa -- estilo que o próprio execrava, mas dizia que "tem-se de fazer". O primeiro texto do volume é mais hermético que o necessário, e não sei até que ponto vítima de uma tradução porca. As frases são organizadas como uma enfestação de formigas, rivais, porque brigam num esquema caótico, violento, rugem como ondas fortes terminando em rochas e a poesia desaparece no ar como a água do mar pulverizada. Não me ficou retido nada da primeira experiência com Neruda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas esse foi o texto inaugural, um estudo -- canhoto, a meu ver -- sobre a poesia andina, tão desconhecida minha quanto a culinária geodésia. Virei a página a tempo de ver Neruda revoltar-se contra o primeiro texto e entregar duas ótimas crônicas extraídas de sua auto-biografia, "Confesso que vivi". Sua descrição da cidade de Valparaíso, a epopéia gráfica que resulta, a densidade do relato e a leveza das imagens, o frescor do estilo, valem o livro (que aliás é emprestado, e não volverá a casa muito cedo).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da janela do ônibus, voltando para meu povoado da infância, a poesia de Pablo alinhou-se como rebocador à minha saudade transatlântica e guiou meu sentimento pela tarde ensolarada, o astro-rei estático no céu, brilhando com gosto. O sol parado no ar e o verde das pastagens que eram pardas em minha memória, viçosas das chuvas deste verão de cântaros. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chuva que caiu coesa como um discurso de Ruy Barbosa, batendo suas gotas na cidade cansada e pobre. Só restou acompanhar a apresentação do jazz de Afonso Abreu, sobrinho do Urso, o maior cronista de Cachoeiro de todos os tempos, Rubem Braga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642283-107989142738482507?l=tamarindo-saci.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/feeds/107989142738482507/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642283&amp;postID=107989142738482507' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/107989142738482507'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/107989142738482507'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/2004/03/neruda-na-janela.html' title='NERUDA NA JANELA'/><author><name>tamarindo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05219313432851550070</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642283.post-107975655763517351</id><published>2004-03-20T01:00:00.000-03:00</published><updated>2004-03-24T18:45:50.170-03:00</updated><title type='text'>AMEAÇA DE BOMBA EM CENTRO EMPRESARIAL  </title><content type='html'>&lt;em&gt;por Adalberto Silva&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um escudo do América Futebol Clube evitou a explosão de uma bicicleta bomba em frente ao &lt;strong&gt;Petro Bussines Trade Commerce Tower&lt;/strong&gt;, na manhã de hoje. O artefato foi desarmado por homens do Esquadrão Antibombas, que esvaziaram o edifício antes de iniciarem a operação. As autoridades ainda não sabem a autoria do quase atentado, mas as suspeitas recaem sobre o grupo terrorista &lt;strong&gt;Brigada dos Desempregados Crônicos&lt;/strong&gt;, que há três meses explodiu uma marmita bomba em um conceituado escritório de recrutamento e seleção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O atentado ao &lt;strong&gt;Petro Bussines Trade Commerce Tower&lt;/strong&gt; foi evitado graças à astúcia do segurança Pedro Caetano, que desconfiou da bicicleta barra-circular vermelha estacionada em frente ao suntuoso prédio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Eu vi aquela bicicleta vermelha e enfeitada com espelhos, fitinhas, buzina e achei bonita. Mas quando vi o distintivo do América, colocado dentro do círculo, percebi algo de errado. Se em Mesquita (subúrbio do Rio de Janeiro) já é difícil encontrar torcedor do América, imagina aqui no Espírito Santo. Cheguei perto e quando ouvi o tique-taque, não tive dúvidas de que era uma bomba e saí correndo”, explica o segurança de 42 anos, ainda ofegante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo informações do Esquadrão Antibombas, havia cinco bananas de dinamite no quadro, dez embaixo do selim e três no bagageiro, todas ligadas a um relógio despertador. As bombas estavam programadas para explodir às 15h45. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A assessoria de comunicação do síndico do &lt;strong&gt;Petro Bussines Trade Commerce Tower&lt;/strong&gt; informou que desconhece os motivos da tentativa de atentado e que ninguém viu o momento em que a bicicleta foi estacionada. De acordo com a assessoria, a bomba foi colocada por volta das 8h, hora em há grande fluxo de pessoas nas imediações e os seguranças acabam se distraindo com o vaivém de  carros de luxo e mulheres de talheur.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt; Marmita Bomba&lt;/strong&gt; &lt;br /&gt;A &lt;strong&gt; Brigada dos Desempregados Crônicos&lt;/strong&gt; , principal suspeita do quase atentado no &lt;strong&gt; Petro Bussines Trade Commerce&lt;/strong&gt;  Tower, foi a responsável pela marmita bomba que matou três pessoas e feriu quatro no escritório da &lt;strong&gt; Perfil Ideal Recrutamento e Seleção&lt;/strong&gt; . O atentado ocorreu às 15h45. Fontes ligadas à BDC informaram que o horário foi escolhido para coincidir com o começo da Sessão da Tarde, programa considerado sagrado para os membros do BDC. A organização, liderada pelo mandrilador desempregado Gumercino Gagah, luta pelo extermínio dos administradores, gerentes de recursos humanos, especialistas em terceiro-setor, consultores e outras espécies da fauna corporativa.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642283-107975655763517351?l=tamarindo-saci.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/feeds/107975655763517351/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642283&amp;postID=107975655763517351' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/107975655763517351'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/107975655763517351'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/2004/03/ameaa-de-bomba-em-centro-empresarial.html' title='&lt;strong&gt;AMEAÇA DE BOMBA EM CENTRO EMPRESARIAL&lt;/strong&gt;  '/><author><name>tamarindo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05219313432851550070</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642283.post-107970911426716578</id><published>2004-03-19T12:11:00.000-03:00</published><updated>2004-03-24T18:42:05.250-03:00</updated><title type='text'>PÔVO BRASILEIRO</title><content type='html'>&lt;em&gt;por João do Papel&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje vi, na agência dos Correios, um cartaz da Tele Sena. Debaixo do título havia uma patota de gente comum, gente de bairro, e abaixo a legenda: "fotos reais dos vencedores". Nem precisava dizer. Gente comum tem cara de gente comum; e que cara formidável. São os personagens da novela que Dias Gomes não escreveu, ou que sim, escreveu e é uma dessas maravilhosas, cheias de personagens, lirismo, malandragem, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falando do Gomes, um de meus maiores heróis, exponho aqui uma dúvida. A Academia Brasileira de Letras é a casa de Machado de Assis, outro gênio popular, homem que gostava de se relacionar com gente -- e tinha nisso sucesso. Mas, agora, essa casa funciona arrendada para quem? José Sarney, imortal, quem é José Sarney no jogo do bicho? Uma alma caridosa, sem dúvida -- vide o incidente nos seis metros que viraram três, no Senado. "Desempregado tenta se matar e se dá bem", foi a manchete do jornal popular. Genial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dias Gomes era um dos maiores do mundo naquilo que fez. Só isso bastaria para credenciá-lo sócio de qualquer clube. Até para a Academia. Mas parece que a ABL tornou-se uma empresa dessas de telemarketing e tudo, que manda para a casa dos escritores um mailing com as últimas novidades, uma ficha para se inscrever à cadeira do imortal de saúde mais frágil e um brinde vez ou outra. Um negócio, frio e engenhoso. Espero receber alguma coisa em breve. Aqueles impressos que chegam pelo correio com um vistoso "Prezado Fulano" (fulano é seu nome, ou a tentativa dele -- o amigo Rimaldo recebe prezados reinventando seu nome, Rinalo, Simaldo, Penado, com muita freqüencia); é a famigerada "customização". Assim a grande força fala com o povo brasileiro. Mas tá bom, chega de falar. Você quer a moral da crônica? Não que houvesse, mas cheguei até alguma: "os imortais da ABL fazem parte do povo brasileiro". E você?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642283-107970911426716578?l=tamarindo-saci.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/feeds/107970911426716578/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642283&amp;postID=107970911426716578' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/107970911426716578'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/107970911426716578'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/2004/03/pvo-brasileiro.html' title='PÔVO BRASILEIRO'/><author><name>tamarindo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05219313432851550070</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642283.post-107967351826769762</id><published>2004-03-19T02:07:00.000-03:00</published><updated>2004-03-24T18:43:02.403-03:00</updated><title type='text'>INTELECTUAL DE LEFT WING</title><content type='html'>&lt;em&gt;por João do Papel&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conte as vezes que você já ouviu falar em "intelectual de esquerda"; pior, quantos minutos (que não voltam) já  perdeu tempo ouvindo, compassivo, alguém desfiando colcha de argumentos absurdos -- detalhes sobre a conspiração para desusar o tupi-guarani ou a importância do congo da Barra do Jucu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma pergunta bate forte nessas horas: será que eu vivo no mesmo mundo dele? Será que esse rapaz, com tanta saúde, pronto para receber uma ferramenta na mão e um tempo para suar a testa -- será que esse desinibido sabe qual é seu papel no mundo? Desculpa se só entro com perguntas. Não é coisa simples de responder; na verdade é uma senhora de uma casa de marimbondos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, talvez seja simplesmente uma questão de determinismo genético. Porque o grosso dos ativistas intelectuais foram bem alimentados na infância, brincaram de carrinho, tiveram TV -- o pacote básico para não "revoltar" uma criança. Então só resta a genética. Ou um vírus, talvez. Talvez isso mesmo, uma arma química dos russos. A CIA criou a AIDS, a KGB criou o bichinho que faz os filhos da classe média virarem para o comunismo. O petardo russo é mais forte, uma vez que não se transmite por via sexual -- porque, se tem uma coisa que os comunas não fazem, essa coisa é sexo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642283-107967351826769762?l=tamarindo-saci.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/feeds/107967351826769762/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642283&amp;postID=107967351826769762' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/107967351826769762'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642283/posts/default/107967351826769762'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tamarindo-saci.blogspot.com/2004/03/intelectual-de-left-wing.html' title='INTELECTUAL DE LEFT WING'/><author><name>tamarindo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05219313432851550070</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
